Por pbagora.com.br

O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai pedir que o Ministério Público da Paraíba investigue um derrame de atestados médicos falsificados, que está acontecendo em João Pessoa e Campina Grande. Segundo o médico Eurípedes Tavares, chefe de fiscalização, toda semana o conselho recebe pelo menos três denúncias de falsificação desse documento. Ele também denuncia a falta de segurança dos formulários nas casas de saúde, flagrada durante as inspeções feitas pela entidade. Ontem, circulou nas redes sociais um suposto Boletim Médico do Hospital de Trauma, descrevendo o atendimento a um paciente que teria sido ‘atropelado por um Unicórnio’. A direção do hospital diz que documento é falso.

 

O texto do suposto prontuário, com timbre do Hospital de Trauma, diz: “O paciente se queixa de ter sido atropelado por um unicórnio. O mesmo apresenta pupilas dilatadas”. Segundo o diretor, Edvan Benevides, o documento é uma falsificação grosseira. Ele admitiu que alguém que trabalha na unidade poder ter feito uma foto de um formulário em branco e escrito em cima da imagem, já que o enquadramento só tem a metade do prontuário e o texto não ultrapassa o limite da foto. O diretor disse ainda que um médico jamais colocaria essa descrição, mesmo que o paciente tivesse dito. “O médico diria que o paciente estava consciente, porém apresentando delírios. Outro erro gritante é que, um paciente com pupilas dilatadas está muito grave, em coma, sem condições de descrever nada”, comentou. Edvan disse ainda que nenhum paciente deu entrada na unidade, nos últimos quatro anos, identificado pelo nome citado no suposto Boletim.

 

O chefe de fiscalização do CRM disse que a falta de segurança dos documentos nas casas de saúde da Paraíba é flagrada com frequência nas inspeções realizadas pelo conselho. “Isso acontece nos PSFs, no Trauma, no Trauminha e até nos hospitais privados, tanto da Capital quanto em Campina Grande e em outras cidades”, afirmou Eurípedes Tavares. Ele disse que uma das consequências disso é o grande número de atestados médicos falsificados são denunciados ao conselho. “Toda semana recebemos dois ou três representantes de empresas que foram lesadas por funcionários, apresentando atestados falsos. Eles nos pedem para conferir a autenticidade do documento”, relatou.

 

Diante da grande quantidade de queixas sobre atestados falsos, Eurípedes disse que já há uma suspeita de que exista um esquema de venda desses papéis na cidade e que a assessoria jurídica do CRM irá acionar o Ministério Público para investigar o caso. “Isso tem crescido e já é caso de investigação criminal” disse ele. Sobre os hospitais, Eurípedes disse que o conselho já notificou vários gestores para que cuidem da segurança de seus formulários. “Quando o médico está atendendo ele precisa ter em sua mesa um bloco de cada tipo de formulário. Se ele precisa sair e a porta da sala fica aberta, qualquer pessoa pode furtar um desses formulários e, a partir dele, criar um documento falso”, alertou.

 

Edvan Benevides admitiu a possibilidade de que algum funcionário tenha fotografado um formulário em branco para fazer o que chamou de ‘brincadeira’.

 



Jornal Correio da Paraíba

 

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