Distraídos e com as atenções voltadas para os aplicativos de celular, estudantes subitamente ouvem um barulho. Inicialmente, a reação é de descrédito, mas na sequência dos disparos percebem que se trata de tiros. A reação fisiológica é instantânea. Prevalece o instinto do indivíduo de agir sem pensar, nem tão pouco analisar as possíveis rotas de fuga. Na tentativa quase desesperada de salvar a vida, a correria é inevitável e um pânico generalizado se forma.

Oito dias após o incidente ocorrido na Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Bodocongó, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), por meio da Pró-Reitoria Estudantil (PROEST), convidou forças de segurança e emergência do Estado para fornecer dicas e noções para a comunidade universitária aprender como proceder em situações de risco. Psicólogos, equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar participaram da capacitação promovida nesta terça-feira (9) pela UEPB e repassaram valiosas informações aos participantes.

Eles indicaram medidas que, se aplicadas corretamente, podem ajudar as pessoas a sobreviverem ilesas e íntegras em uma situação de caos e medo. Manter a calma, o controle emocional e procurar analisar os cenários e buscar as saídas de emergência ou rotas de fugas de forma pensada, foram algumas das dicas repassadas e ouvidas atentamente por estudantes como Felipe Soares de Araújo, do 4º período de Geografia. Ele estava na Central de Integração Acadêmica no último dia 1º de abril e, no momento do tiroteio, entrou em desespero e em estado de choque emocional. “É muito louvável uma iniciativa como essa, pois as informações são ricas e nos ajudam a saber agir em um momento de desespero”, disse.

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O treinamento com a comunidade acadêmica para procedimentos em situações de risco contou, inicialmente, com a palestra “Situações de insegurança, violência e risco: o que fazer?”, ministrada pelo professor e psicólogo Edmundo Gaudêncio, que destacou os elementos oriundos do conceito de gestão de tragédias e catástrofes. Ele enfatizou que esse conceito apela para a ideia de que a prestação de assistência se dá em três níveis: prevenção, atuação e pós situação de risco. O professor orientou como as pessoas devem reagir numa situação de pânico generalizado e indicou as melhores condutas a serem adotadas, em termos psicológicos.

Edmundo observou que o psicólogo pode desenvolver um papel importante junto às vítimas e ajudar a reduzir os traumas de uma catástrofe. Ele frisou que o brasileiro, de modo geral, não está preparado para enfrentar situações que estão inseridas na psicologia da emergência. Para ele, essa preparação passa pela realização de ações como simulações e exercícios que ajudam o sujeito a tomar as decisões mais acertadas, e, principalmente, os treinamentos que podem salvar vidas. “Essas tragédias ou desastres ocorrem dentro de um espaço absolutamente curto, no qual muitas vezes não há tempo do sujeito parar e pensar. Ele age quase de maneira instintiva”, observou.

Representante do Corpo de Bombeiros no evento, a tenente Kellen Barbosa Aires apresentou algumas dicas no tocante à prevenção de incêndios e destacou a importância do uso dos equipamentos de segurança exigidos como hidrantes, extintores de incêndio e placas de sinalização. O plano de evacuação específico para cada ambiente também foi apresentado pela tenente, que contou com o auxílio do cabo Anderson de Souto Diniz em sua apresentação.

Em uma situação de pânico dentro do espaço universitário, a tenente ressaltou que é importante que o estudante que estiver em melhor condição emocional, organize fila indiana e marche em fuga sempre pela direita, deixando a outra via de passagem livre para os profissionais de emergência responsáveis pelo socorro das vítimas. “Em um ambiente como esse existe a probabilidade de ocorrer um sinistro de incêndio. Por isso, apresentamos alguns pontos que podem ajudar os alunos a saber agir diante dessa situação”, observou., acrescentando que ,em caso de incêndio, os alunos devem estar atentos às rotas de fuga, placas de sinalização e iluminações de saídas de emergência.

O delegado da Polícia Civil, Pedro Ivo Soares, destacou a importância da interação entre as forças policiais e a Universidade e que a aproximação entre as instituições pode garantir um ambiente de maior paz e a tranquilidade. Ele lembrou que a Polícia Civil só pode agir quando é avisada da ação criminosa e ressaltou o papel investigativo do trabalho da Polícia Civil.

O Grupo de Ações Táticas Especiais da PM, representado pelo tenente Godói, pelo soldado Ricardo e pelo cabo Lacerda, também apresentou dicas de segurança importantes para os estudantes, técnicos e professores usarem em episódios que envolvam confronto armado. Tenente Godói participou da ocorrência do dia 1º de abril na UEPB e, em sua explanação, lembrou que em casos de tiroteio as pessoas devem observar as rotas de fugas e buscar abrigos seguros para se proteger, mesmo com a adrenalina em alta.

Manter a calma, procurar dominar o pânico, buscar rotas de fuga e evitar o instinto de agir sem pensar foram algumas das dicas apresentadas. Após seguir todos os procedimentos, conforme orientação do GATE, deve-se acionar imediatamente as polícias Civil e Militar, bem como o Corpo de Bombeiros através dos telefones emergenciais 190, 193 e 197.

odos os representantes policiais enalteceram a iniciativa da PROEST que, além de ter dado total assistência aos estudantes no incidente da semana passada, agiu rápido e conseguiu reunir as forças do Estado para apresentar dicas necessárias para a comunidade universitária. Idealizadora do evento, professora Núbia Nascimento, destacou a necessidade de capacitar a comunidade universitária para agir em casos de tensão, onde o controle emocional e os conhecimentos práticos para se comportar em situações de risco são fundamentais para que as pessoas possam lidar com as emergências sem se machucar e auxiliando quem estiver enfrentando dificuldades, minimizando danos.

Ela lembrou que a PROEST atuou intensamente na assistência aos estudantes, colocando inclusive a equipe de psicológicos a disposição dos discentes, medida que ajudou a diminuir o trauma da ocorrência passada. Núbia observou que a Pró-Reitoria já realiza um acompanhamento psicológico dos estudantes há três anos, dando suporte aos discentes, e devido ao ocorrido na semana passada a demanda aumentou, porém, passados oito dias do incidente, a situação já é tranquila novamente. “O objetivo desse evento foi treinarmos os estudantes para eles se comportarem em determinadas situações. Tivemos o incidente do dia 1º de abril e observamos que a comunidade universitária não soube como agir diante do pânico. Esse foi um primeiro momento de capacitação. Vamos organizar outros eventos dessa natureza para garantir que nossos professores, alunos e técnicos tenham conhecimento suficiente para agir de forma segura em casos de emergência”, ressaltou.

 

Assessoria

 


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