Por Wellington Farias
 
 

Analistas e pitaqueiros de plantão já decidiram, conforme suas opiniões manifestadas em vários veículos de comunicação: o prefeito Luciano Cartaxo (PV) e o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) estão politicamente mortos e sepultados, para século sem fim, amem!

Só em programas de rádios ouvi pelo menos três opiniões nestes termos. Parece até coisa orquestrada…

Calma, Maria do Bairro. Pode não ser assim…

Só pode

Quer um exemplo claro de que esta projeção pode incorrer num erro?
Lembram de Cícero Lucena, que foi preso, execrado publicamente, humilhado e destroçado pelo julgamento e condenação antecipada da mídia?

O calvário de Cícero foi de tamanha proporção que ele submeteu-se por muito tempo a um exílio voluntário da política. Se não me engano mais de uma década e meia.
Passados dezesseis anos, além de inocentado pela Justiça (quando ela quer demora, sabe demorar; quando quer ser apressadinha, sabe ter pressa…) o velho Cícero Lucena, quase que por um chamamento do contexto político, voltou com tudo.

Cícero Lucena – que já ganhou de lambuja o primeiro turno da eleição para prefeito de João Pessoa – está aí, firme e forte, concorrendo ao segundo turno.

Parêntese: é bem verdade que o segundo turno é uma nova eleição e, desde segunda-feira passada, tudo começou do zero.

Ricardo

Ricardo Coutinho perdeu a eleição, e perdeu feio, ficando em sexto lugar. Não há o que discutir, perdeu!

Mas não perdeu por perder, por puro e simples rechaço do eleitorado. Não!
A derrota de Ricardo decorre de um longo período de massacre judicial e midiático.
Ricardo Coutinho foi condenado à inelegibilidade (que não valia para esta eleição) faltando seis dias para a realização do pleito.

Não tem liderança, político, candidato nenhum no mundo que vença uma eleição com uma condenação faltando seis dias para o pleito, ainda mais gerando dúvidas de que o candidato é elegível, ou não.

E Ricardo estava elegível. Tanto que foi votado, seus votos foram apurados e ele consta no site do TSE com votação e condição de derrotado.

Lembrados

Nada, porém, pode determinar desde já que Ricardo Coutinho volte a ser muito bem lembrado em eleições futuras, a menos que esta condenação de agora valha para eleições futuras e por muito tempo.

Ricardo é um nome forte na política da Paraíba. Deixou marcas muito positivas, tanto nos dois mandatos de prefeito de João Pessoa, como nos dois de governador.
E a boa lembrança das gestões de Ricardo poderá voltar à memória dos paraibanos muito antes do que se imagina, dependendo do resultado dos atuais e futuros gestores, tanto no Governo do Estado como em João Pessoa.

Portanto, não é razoável, desde já, determinar que RC esteja morto e sepultado politicamente.

Cartaxo

Luciano Cartaxo, prefeito de João Pessoa, sempre foi um vitorioso na política. Até um determinado momento, ganhou todas.

Até mesmo quando Zé Maranhão não o aceitou mais para ser seu vice, Cartaxo foi para deputado estadual e foi muito bem eleito, e Maranhão perdeu.
Eleito prefeito de João Pessoa por dois mandatos, Cartaxo começou a perder quando aderiu à velha política de formar oligarquia, lançando mão de projetos familiares para disputar eleições.

Tentou eleger o irmão, Lucélio, de todo jeito, mas não logrou êxito.
Por último, optou (muito equivocadamente) por lançar à sua sucessão na Prefeitura de João Pessoa uma concunhada, adotando o critério nada simpático do cunhadismo.
Agora sem mandato – assim como Ricardo Coutinho – Cartaxo pode voltar à cena política?

Pode, claro que pode.

Mas também, tanto ele como Ricardo poderão estar mesmo enterrados politicamente.
Mas só os fatos futuros irão dizer, e não o pré-julgamento e condenação antecipados da mídia.

 
 

Por Wellington Farias

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