O presidente Jair Bolsonaro, que há muito vem testando a paciência do povo e das instituições brasileiras, está cutucando o cão com vara curta.

Como quem testa se teria condições para “tratorar” a democracia brasileira e, se possível, fazer-se um ditadorzinho tupiniquim, irresponsavelmente o presidente da República distribuiu nas redes sociais um vídeo em que exorta seus seguidores a participarem de uma manifestação contra o Congresso Nacional, contra o Supremo Tribunal Federal, e em favor de si próprio, marcado para o dia 15 de março.

Bolsonaro pensa que só porque chegou ao poder surfando numa onda de crise, pode tudo. Aliás, sempre que o País enfrenta uma crise algum aventureiro ascende do poder, passa a se achar o rei da cocada preta e, quase sempre, faz titica no final…

Exemplos

A história tem mostrado que estes “pode-tudo” sempre se dão mal.
Vide Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello. O primeiro renunciou acreditando piamente que o povo o traria de volta nos braços. Necas: os brasileiros o deixaram lá mesmo, na rua da amargura com seu inseparável litrinho de uísque; o segundo, convocou o povo a sair às ruas para defender o seu mandato, levou uma rasteira: as massas foram às praças, mas para pedir a sua cabeça.

O Brasil não é mais aquela republiqueta de bananas que era em 1964; os oficiais das Forças Armadas de hoje não sofrem mais daquela mentalidade tacanha, ultrapassada; a América Latina também não é hoje o barril de pólvora que fazia os Estados Unidos se tremerem de medo.

Hoje, não há mais espaço nas Forças Armadas para truculentos, como o general Newton Cruz, talvez nem mesmo para um com a mentalidade de João Figueiredo, aquele que, em pleno exercício da Presidência, disse que preferia o cheiro dos seus cavalos ao cheiro do seu povo.

Frágil, mas…

A nossa democracia ainda é frágil. Aliás, sempre foi. Nosso País sempre teve uma vida marcada por golpes e quarteladas. Vivemos agora o mais duradouro período de democracia. E, embora ainda sejamos frágeis, não há mais clima favorável à tomada do poder pelas baionetas.

Vivemos dias sombrios, evidentemente, mas que nem de longe se compara aos tempos em que a baioneta e o coturno falavam mais alto.

Reação

Mas é preciso reagir. E não precisa ser violentamente. É importante que cada brasileiro se manifeste, pacificamente, contra qualquer tentativa de afronta à democracia: seja nas mídias sociais, nos seus escritos, nas conversas em família, nos botecos, nas esquinas e, se preciso, sair às ruas.

O bumerangue

Mas, podem apostar: o governo bumerangue de Jair Bolsonaro, que está sempre indo e voltando nas suas atitudes, vai já-já pedir arrego e desistir da ideia de tentar usar o povo para um projeto que, graças a Deus, jamais se consolidará.

 

Wellington Farias

PB Agora

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