O Movimento de Mulheres Negras na Paraíba iniciou no dia 14 de julho último, extensa programação em alusão ao Dia Internacional das Mulheres Negras, da América Latina e do Caribe. Enfrentando o racismo, sexismos, entre outras formas de opressão, vários grupos de mulheres elegeram o lema Mulheres Negras em Movimento: pela Democracia e o Bem Viver, com a construção de uma agenda Afro-feminista, contendo importante pauta de celebração, debates e eventos alusivos à data. Durante todo o mês de julho acontecerão debates, palestras, manifestações culturais, rodas de diálogos e outros, contendo a pauta democrática do movimento, que este ano tem o lema: Mulheres Negras em Movimento: pela Democracia e pelo Bem Viver.

 

O 25 de julho é a data que reverencia o Dia Internacional das Mulheres Negras da América Latina e do Caribe e também é o Dia Nacional de Teresa de Benguela. O marco que remete à data internacional é o I Encontro de Mulheres Afro-latina, Americana e Caribenha, ocorrido em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992. Desde então, muitas ONG´s e grupos sociais têm trabalhado para visibilizar a data e consolidá-la na agenda de luta dos movimentos sociais, sobretudo, do movimento de mulheres negras. O Dia Nacional de Teresa de Benguela foi criado pela Lei 12.987/2014 e homenageia a heroína negra que liderou importante quilombo no Mato Grosso, no século XVIII, resistindo à escravidão por duas décadas.

Na Paraíba, desde 1988, a Bamidelê – OMN-PB, vem fazendo parte dessa história, demarcando esse importante marco histórico de luta contra o racismo, sexismo e LGBTfobia com a realização de ações alusivas à data, que depois veio a se consolidar, por meio de organização do movimento de mulheres negras, até chegarmos a esta 20ª edição.

Neste debate, demonstramos a nossa indignação diante dos dados trazidos pelo IPEA[1] – Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas: “crescem taxas de assassinatos de mulheres negras no país… Aumenta o índice de homicídios de mulheres negras, enquanto a taxa caiu nos demais grupos étnicos”. A vergonha de um país que dá as costas à população negra fica evidente nos números: 62,2% de mulheres estupradas, são negras; 62,8% de morte materna, são de negras; 68,8% de mulheres assassinadas, são negras; 59,4% dos registros de violência doméstica no serviço 180 referem-se a mulheres negras.

Dentre os principais pontos dos debates está a exigência do fim do racismo e da violência que se manifestam no genocídio dos jovens negros; na saúde, onde a mortalidade materna entre mulheres negras está relacionada à dificuldade do acesso a esses serviços, à baixa qualidade do atendimento aliada à falta de ações e de capacitação de profissionais de saúde voltadas especificamente para os riscos a que as mulheres negras estão expostas; da segurança pública cujos operadores e operadoras decidem quem deve viver e quem deve morrer mediante a omissão do Estado e da sociedade para com as nossas vidas negras, como afirma a Carta da Marcha das Mulheres Negras datada de 2015.

Diante desta realidade, é chamada a atenção para a importância de pautar estas questões, portanto diversas organizações de mulheres negras e parceiras chamam para a agenda afro-feminista. E no 25 de julho, dia de mobilização e luta, de visibilidade da ação política, de dizer que as vidas negras importam. Nesta data acontecerá na Usina Cultural Energisa, a Conferência sobre Branquitude e Mulheres Negras, com Cida Bento, Doutora em Psicologia (USP), Coordenadora do Centro de Estudos de Relações de Trabalho e Desigualdades e considerada pelo The Economist como uma das 50 mulheres mais influentes do mundo, no campo da diversidade. Durante a Conferência do dia 25 de julho, também haverá o lançamento do Encontro Nacional Mulheres Negras – 30 anos, que acontecerá em Goiânia-GO, em dezembro.

 AGENDA AFRO-FEMINISTA

Dia/Horário

Atividade

Local

14/07-17h

Roda de Conversa: O impacto da política de drogas na vida das mulheres negra

Praça do Coqueiral-Mangabeira/JP-PB

18/07-4ª feira – 9h-12h

Vivência: Mulheres Negras e Participação Político-Partidária

 

Auditório do SINTESP-UFPB-Campus I

18/07 – 4ª feira

19h-22h

Roda de Conversa: 30 anos de Feminismo negro no Brasil

 

Hall do RU da UFPB-Campus IV

Mamanguape/PB

19/07-5ª feira

8h-11h

 

Documentário “Em obras: vidas negras importam” & Debate sobre Juventude Negra

 

 Escola Presidente João Goulart – Castelo Branco /JP-PB

24/07-3ª feira-Manhã

 

 

 

 

 

Cortejo de Mulheres Negras no Centro de João Pessoa/PB – 25/07 – Mês das Mulheres Negras – Manhã

 

 

Concentração no Mercado Central de João Pessoa – PB

 

 

 

 

24/7

14h30

Papo de Preta: Diálogos sobre a importância da transição capilar para o empoderamento da mulher negra crespa e cacheada

 

Balacochê Studio Afro

Rua João Pessoa, 186

Miramar

 

 

 

25/07-4ª feira – 16h-22h

AYEYE DUDU – 20ª Edição do 25/07-Mulheres Negras na Paraíba.

Cirandeiras de Caiana e

Conferência com Cida Bento (CEERT-SP)

Usina Cultural Energisa – João Pessoa, 186 – Miramar)

 

 

 

 

27/07-6ª feira – Tarde

Intelectuais Negras Brasileiras

Solange Rocha – Atividade do GELENCG na UFCG

Universidade Federal de Campina Grande

27/07-6ª feira – 18h

Uyelê das Pretas

Granada Bar – Castelo Branco/JP-PB

28/07 – Sábado

08h às 16h

 

 

28/07 – Sábado

14h

Oficina e Roda de Conversa sobre Mulheres Negras, Democracia e Bem-Viver.

 

Autocuidado

Auditório da UEPB

Centro de Humanidades

Guarabira

 

Sede do Cunhã

 

 

 

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