Por pbagora.com.br

Após o cancelamento de ao menos 63 mil voos entre a última quinta-feira e o domingo, o tráfego aéreo no continente europeu pode ser normalizado na quinta-feira (22) caso a emissão de cinzas sigam diminuindo, anunciou a Eurocontrol, a agência europeia para segurança aérea, de acordo com informações da France Presse.

Mais cedo a agência de notícias informou que pela primeira vez o vulcão na Islândia emitiu lava. "Vimos a erupção mudar de explosões de cinza para emissões de lava", disse Reynir Petursson, piloto de helicóptero que sobrevoou o vulcão.

O piloto informou à France Presse que a nuvem que se via neste momento sobre o local era composta muito mais de vapor do que de cinzas.

A confirmação desta mudança significa que a nuvem de cinzas que impede a liberação do tráfego aéreo sobre vários países da Europa pode começar a se dispersar.

A União Europeia anunciou que vai reabrir parte do espaço aéreo do continente às 3h desta terça-feira, medida anunciada após duras críticas das companhias aéreas sobre o rigor excessivo pela nuvem vulcânica oriunda da Islândia. As cinzas afetam há cinco dias o tráfego aéreo da Europa e causam prejuízo estimado em US$ 250 milhões diários ao setor.

O ministro da Infraestrutura (transporte e obras públicas) da Espanha, José Blanco, informou a decisão depois de uma reunião extraordinária de dirigentes europeus de Transportes.

Zonas

A UE vai definir, "nas próximas horas", as três zonas em que dividirão o espaço aéreo europeu segundo o nível de poluição causado pela nuvem de cinzas do vulcão islandês.

Haverá uma "zona sem voo", imediatamente acima da nuvem e por onde nenhum avião poderá passar; uma "zona com alguma contaminação", por onde os aviões poderão passat, mas desde que ampliem as medidas de segurança; e uma terceira zona de livre circulação.

"A partir de amanhã, nós devemos ver progressivamente mais aviões começarem a voar", disse o comissário de Transporte da UE, Siim Kallas.

A medida foi anunciada no mesmo dia em que alguns dos mais importantes países europeus anunciaram fim de parte das medidas restritivas ao tráfego aéreo.

O governo da França anunciou a reabertura parcial dos aeroportos do norte do país a partir desta terça-feira, às 8h (3h de Brasília). Segundo o governo, a medida permitirá uma "recuperação progressiva do tráfego aéreo", informou um comunicado oficial.

Segundo a nota, haverá "corredores aéreos" entre Paris e os aeroportos do sul do país, entre os quais Bordeaux, Toulouse, Marselha e Nice.

Críticas

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) pressiona nesta segunda-feira por medidas urgentes pela retomada dos voos na Europa, cuja interrupção causa um prejuízo diário de US$ 250 milhões para as empresas do setor.

A Iata afirmou que as autoridades aéreas "perderam oportunidades de voar com segurança". "Este vulcão paralisou o setor aéreo, primeiro na Europa, e agora está tendo implicações mundiais. A escala do impacto econômico já é maior do que no 11 de Setembro (de 2001), quando o espaço aéreo dos EUA foi fechado por três dias", disse o diretor da associação, Giovanni Bisignani.

Em entrevista coletiva em Paris, ele criticou a proibição generalizada de voos e defendeu "formas de flexibilizar o espaço aéreo, passo a passo".

A companhia aérea britânica British Airways apontou hoje que as atuais restrições impostas no espaço aéreo europeu são "desnecessárias", com base nos voos de teste realizados por esta e outras empresas.

Os resultados obtidos até o momento pelo voo de teste de um avião da British Airways, assim como os efetuados por outras companhias aéreas europeias, "fornecem novas provas de que as atuais restrições no espaço aéreo são desnecessárias", segundo a empresa britânica.

Brasil

Até o momento a Infraero, estatal responsável pelos aeroportos brasileiros, confirma o cancelamento de 15 voos que deveriam chegar da Europa para o Brasil nesta segunda-feira.

São 11 voos que deveriam partir ou chegar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e outros quatro que passariam pelo Aeroporto Internacional galeão, no Rio de Janeiro.

Folha Online

Deixe seu Comentário