Por pbagora.com.br

O aviso escrito na parede é claro: ‘tudo é de graça. Pegue somente o que você realmente precisa’. Na lojinha da Brunnenstrasse, via movimentada de Berlim, na Alemanha, dinheiro é o que menos importa. Pelo menos essa é a filosofia do lugar. “Você pega o quiser e paga se quiser”, afirma o designer Nicolas Arjona, 43, que ajuda a tomar conta do estabelecimento nada comercial.

A ideia é desestimular o consumo, o supérfluo, e colocar o foco nas necessidades. “Aqui, o cliente pode levar até três itens. Se quiser pegar mais, tem que ser razoável porque tem gente que leva os produtos para vender e isso é legal para a gente”, explica o designer. Os produtos chegam por meio de doações. E são elas que ajudam a pagar as despesas básicas.

“Normalmente, as pessoas deixam alguma coisa. Nem que seja um euro ou dois euros. Então pagamos a luz, a água, o aquecimento”, conta Arjona. A caixinha para o depósito das moedas fica junto a uma estante com livros usados. Sim, porque nada na loja é novo. Apesar disso, é imprescindível que a mercadoria, mesmo de segunda mão, esteja pronta para o uso do próximo a adquiri-la. E seria melhor ainda se o cliente se desfizesse de algo seu no momento de partir.

 

 

Para os turistas mais perdidos, que chegam sem entender nada, um panfleto explica a filosofia do lugar, onde as paredes são pichadas, coloridas, e tudo tem uma cara meio desarrumada, o que concede um certo charme ao pequeno imóvel. “Aqui, todo mundo é igual (…). Não importa o que você tem, mas do que precisa”, diz um trecho.

Na visão um tanto socialista desse grupo, “bilhões de pessoas trabalham diariamente em condições desumanas para manter o capitalismo no mundo e sua ideia maluca de consumo, de produção em massa”, afirma outro parágrafo do panfleto. Na lojinha que oferece sem cobrar em troca, há ainda copos, pratos, brinquedos, jogos, quadros e miudezas em geral. O pagamento fica de acordo com o bom senso do “comprador”.

 

G1