O governo brasileiro decidiu adiar a visita do polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a Brasília para a primeira semana de dezembro. O adiamento acaba com os planos de Ahmadinejad de realizar ao Brasil a sua primeira viagem como presidente reeleito.

O adiamento é uma maneira de atenuar o desconforto de Israel, cujo presidente, Shimon Peres, tem visita a Brasília marcada para 11 de novembro, informa o repórter da Folha Samy Adghirni (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

O iraniano queria vir neste mês, mas o Itamaraty alegou "que a data estava muito em cima".

O ultraconservador Ahmadinejad foi reeleito em pleito do dia 12 de junho passado, com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi.

A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude. Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos. A oposição acusa as forças de segurança pela morte de 69 pessoas.

O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas.

Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariou a cautela da comunidade internacional e declarou a vitória de Ahmadinejad, mesmo antes da confirmação pelo Conselho de Guardiães. Lula chegou a comparar os protestos a uma briga entre torcidas de futebol.

Críticos questionam o motivo do Brasil receber uma figura polêmica como Ahmadinejad, que já declarou querer riscar Israel do mapa, já que a relação comercial entre os dois não é tão significativa.

 

Folha

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