Por pbagora.com.br

TEERÃ – O Irã planeja instalar um modelo mais avançado de centrífuga em seu recém-descoberto local para enriquecimento de urânio, informou um jornal local nesta terça-feira, 6. O fato deve gerar mais temores internacionais sobre o programa nuclear do país.
 

Cientistas iranianos têm realizado pesquisas nos últimos meses para obter uma nova geração de centrífugas mais eficientes. A maioria dos componentes dessas máquinas é feita no próprio país, disse o chefe da agência nuclear iraniana e vice-presidente da República Islâmica, Ali Akbar Salehi, segundo o jornal Kayhan. "Colocamos nossos esforços em pesquisa e desenvolvimento de novas máquinas nos últimos dois ou três meses para que possamos produzir máquinas com alta eficiência e completamente nacionais", afirmou Salehi, em entrevista ao jornal.

 

O processo de enriquecimento de urânio pelo Irã é alvo de forte controvérsia com os EUA e outras nações. Essa tecnologia pode ser usada para produzir combustível para plantas de energia, mas também para armas nucleares. O Irã insiste que sua única intenção é produzir energia, mas Washington e seus aliados suspeitam que o país almeja fabricar armas.

 

O novo local de enriquecimento de urânio fica perto da cidade sagrada de Qom, é a segunda instalação do tipo no país e pode abrigar até 3 mil centrífugas. O Irã afirma que a nova planta estará funcionando em 18 meses. O Irã concordou com seis potências mundiais – Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha – em permitir visitas de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao local no dia 25 de outubro. O anúncio dessa permissão foi feito no domingo, 4, pelo chefe da agência, Mohamed ElBaradei.

 

As novas centrífugas serão mais avançadas que as velhas do tipo P-1 adquiridas no mercado negro e usadas em Natanz. Não foi divulgado o cronograma para o uso da nova tecnologia. Também não foi mencionado qual país fornece os componentes importados do produto.

 

O Irã já foi alvo de três rodadas de sanções do Conselho de Segurança da ONU por se recusar a interromper o processo de enriquecimento de urânio. Desde abril, funcionários iranianos afirmam que o país constrói centrífugas mais avançadas e que podem enriquecer urânio com mais eficiência e precisão.

O Estadão