Por pbagora.com.br

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha anunciou neste sábado (26) em seu site que um de seus delegados entrou na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital de Honduras, na sexta-feira (25), para verificar o estado de saúde de todos que estão no local.

Segundo comunicado divulgado pela organização, a visita ocorreu a pedido do Brasil e com o consentimento de todas as partes envolvidas.

O documento não faz nenhuma referência ao presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, que está na embaixada brasileira desde segunda-feira (21).

A Cruz Vermelha informou ainda que prestou primeiros socorros a mais de 100 pessoas nos últimos dias após confrontos entre manifestantes pró-Zelaya e militares. De acordo com a organização, há cerca de 200 voluntários espalhados pelo país, sendo que 60 estão em Tegucigalpa.

Sem solução

 

A crise política em Honduras continua sem solução, já que o presidente interino do país, Roberto Micheletti, e o presidente deposto, Manuel Zelaya, se negam a negociar. Enquanto nenhum dos lados cede, Zelaya permanece refugiado na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, capital hondurenha.

Na sexta-feira, o governante interino afirmou que a melhor solução é o país escolher um novo presidente. Micheletti afirmou que está disposto a renunciar, mas descartou completamente a volta de Zelaya. Por outro lado, o presidente deposto só aceitar negociar se retornar ao poder do país da América Central.

Também na sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU condenou o cerco da Embaixada do Brasil em Honduras e exigiu que ele seja imediatamente interrompido. A sede da diplomacia brasileira está cercada desde segunda-feira, quando Zelaya voltou a Tegucigalpa.

Sobre o cerco à Embaixada brasileira, Micheletti destacou que seu governo está apenas garantindo a vida das pessoas que estão lá, e também protegendo os que moram perto do prédio. Mas, na sexta, Zelaya denunciou que a Embaixada teria sido atingida por um "gás tóxico".

 

Eleito em 2006, Zelaya foi deposto no dia 28 de junho por um golpe militar. Os militares argumentam que Zelaya queria incluir nas cláusulas das eleições, que ocorrem em novembro deste ano, a possibilidade de mudar a Constituição do país para poder se reeleger.

O presidente deposto se refugiou na Embaixada do Brasil na segunda-feira para tentar retomar o poder, possibilidade não aceita pelo atual governo. "Totalmente descartado", disse Micheletti. "Além disso, ele tem contas pendentes com a lei em nosso país."

Rafael Alegría, líder da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe, disse que as portas do diálogo não estão totalmente fechadas. "O problema é que todo mundo quer o diálogo, mas não nos aproximamos de uma solução. A restituição do presidente Zelaya continua sendo o obstáculo."

Micheletti aposta que as eleições presidenciais de novembro permitam virar a página e romper o isolamento do país. Mas os Estados Unidos afirmaram que não aceitarão o resultado de eleições

G1