Por pbagora.com.br

O ex-presidente dos EUA Bill Clinton chegou nesta quarta-feira (5) aos EUA em companhia das duas jornalistas libertadas pelo governo da Coreia do Norte, Laura Ling e Euna Lee. Na chegada, Ling deu uma declaração afirmando que elas tomaram um susto ao ver Clinton em Pyongyang, mas que sabiam que o pesadelo da vida delas tinha chegado ao fim. Ela agradeceu o apoio do governo e das pessoas dos EUA e disse que elas viveram a parte mais difícil de suas vidas.

Euna Lee, de 36 anos, e Ling, de 32, foram presas em março, sob acusação de entrarem ilegalmente no território norte-coreano quando faziam uma reportagem sobre tráfico de mulheres, na fronteira entre China e Coreia do Norte.

 

A dupla trabalha para o canal Current TV, fundado por Al Gore, que foi vice de Clinton. Em julho, as duas jornalistas foram condenadas as 12 anos de trabalhos forçados.

"As famílias de Laura Ling e Euna Lee estão transbordando de felicidade com a notícia do perdão", disse nota divulgada em um site criado para apoiar as duas jornalistas.

 

A nota expressa gratidão ao presidente Barack Obama e a vários funcionários do governo, além de agradecer a Clinton "por assumir uma missão tão árdua".

 

Pouco após a chegada da comitiva de Clinton, Obama saudou o extraordinário esforço humanitário do ex-presidente."Nós estamos obviamente aliviados", afirmou Obama aos repórteres da Casa Branca. "A reunião que todos nós vimos na televisão é uma fonte de felicidade, não apenas para as famílias, como para todo o país", afirmou Obama.

"Quero agradecer ao presidente Bill Clinton – e tive uma chance de falar isso com ele – pela extraordinário esforço humanitário que resultou na libertação das duas jornalistas". Ele também agradeceu ao ex-vice-presidente Al Gore, que "que trabalhou incansavelmente a fim de alcançar um resultado positivo".

Diplomacia

O encontro de Kim Jong-il com o ex-presidente foi o contato de mais alto nível entre EUA e Coreia do Norte desde que Clinton era presidente, no começo da década. Não houve informações sobre o que mais Clinton discutiu nesta visita, que deu algo que Kim deseja avidamente – atenção direta dos EUA e uma visita de um emissário bem posicionado.

 

A KCNA, agência oficial do governo norte-coreano, disse que Clinton "transmitiu de forma cortês uma mensagem verbal (…) de Obama expressando profundo agradecimento (pelo perdão às jornalistas) e refletindo opiniões sobre formas de melhorar as relações entre os dois países".

A Casa Branca negou que Clinton tenha transmitido qualquer mensagem de Obama.

Foto: Reuters
As jornalistas americanas libertadas pela Coreia do Norte, na chegada aos Estados Unidos (Foto: Reuters)

David Axelrod, assessor especial do presidente, disse ao canal MSNBC que Clinton viajou numa "missão humanitária privada". "Não acho que isso esteja relacionado a outras questões", afirmou.

O ex-presidente, marido da secretária de Estado Hillary Clinton, foi o norte-americano mais ilustre a visitar o recluso país comunista desde que Madeleine Albright, então secretária de Estado do próprio Clinton, esteve lá, em 2000. Ele foi recebido de forma calorosa e manteve o que a KCNA descreveu como uma "exaustiva conversação" durante um jantar com Kim e assessores do regime.

"Clinton manifestou um sincero pedido de desculpas a Kim Jong-il pelos atos hostis cometidos pelas duas jornalistas norte-americanas contra a RPDC (Coreia do Norte) depois de invadirem-na ilegalmente. Clinton cortesmente apresentou a Kim Jong-il um sincero pedido do governo dos EUA para que (Kim) as perdoa de modo leniente e as devolva para casa sob um ponto de vista humanitário", segundo o relato da KCNA.

A agência acrescentou que a visita "contribui para aprofundar o entendimento entre a RPDC e os EUA, e para construir uma confiança bilateral".

G1