“’Faça-se a luz!’ E a luz se fez”. A ordem não “partiu” do Livro do Gênesis, embora esteja contido algo similar na Bíblia. Mas aqui, falo da ordem emitida pelo presidente Jair Bolsonaro, que buscou iluminação dos deuses ditatoriais para informar ao mundo que sim, o Brasil retornou à Idade das Trevas, combatendo com veemência os “perigos” do socialismo e lutando contra uma imprensa nacional e além-mar que supostamente está a serviço dos que buscam macular e colocar em risco a soberania nacional.

O recado foi dado na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York. Soltando fogo pelas ventas, o chefe do Executivo brasileiro foi mais além do que se pensava nos seus devaneios de “rei louco”. Exaltou o período que os generais “resguardaram” a democracia do país e saíram vitoriosos quando entraram em combate extremo contra aqueles que ousaram pensar “Karl Marx” em solo brasileiro. Um adendo: muitos que nunca pensaram também foram colocados na lista dos “comuna”.

Bolsonaro não mencionou no discurso o falecido coronel do Exército Brasileiro Carlos Alberto Brilhante Ustra. E não precisava, pois estava ele incorporando a “certezas” do ex-chefe do DOI-CODI em suas palavras, palavras essas endereçadas, com absoluta certeza, aos chefes de Estado que não estão alinhados aos pensamentos da extrema direita.

Em avaliação assertiva do colunista Guga Chacra, da Globonews, “Bolsonaro se tornou um dos mais conhecidos líderes da extrema direita internacional no palco das Nações Unidas”. Então Bolsonaro foi Bolsonaro. Não baixou o tom, e fez o que justamente seus eleitores fieis esperavam.

Atacou, de forma indireta, o presidente francês, Emmanuel Macron, exaltou seu colega norte-americano Donald Trump, mostrou ser anti-indígena, negou que a Amazônia esteja sendo devastada, e disse ser uma falácia que a região e toda sua biodiversidade sejam patrimônio da humanidade.

Até mesmo o cacique Raoni, uma das principais vozes contra as políticas indigenistas e ambientais do modelo bolsonarista foi lembrado e não poupado pela língua “serpentuosa” do capitão. Observou ser o líder indígena instrumento de uso político estrangeiro.

Rápido no “gatilho”, Bolsonaro ainda levou como amuleto da sorte para a Big Apple Ysani Kalapalo, jovem do Alto Xingu que se descreve como “a indígena do século 21”. Tudo para mostrar que a nova geração dos índios brasileiros está a seu favor e o velho Raoni um “modelo” ultrapassado.

Ao longo dos 32 minutos de discurso, Jair Bolsonaro também fez uma série de referências religiosas, esquecendo que governa um Estado laico. Mostrou novamente sua obsessão pelo nióbio e terras raras, além do ouro em abundância em solo amazonense. O que, para ele, é motivo do “olho gordo” dos países “colonialistas”.

E ainda teve o fogo de artilharia disparado contra Cuba e Venezuela, como também à ideologia de esquerda. Para o presidente, eles – os esquerdistas – estavam dilacerando as famílias brasileiras. Em suma, Jair Messias Bolsonaro provou, mais uma vez, ser um mito, embora às avessas, isolando o Brasil de boa parte do mundo civilizado.

Como bem especificou o jornalista Leonardo Sakamoto em seu blog: “Havia uma linha equilibrada, de mais de 100 anos, que não foi rompida nem pela ditadura. Vai demorar para a comunidade internacional entender as implicações desse “Novo Brasil” apresentado por Bolsonaro”.

E aí Jair Bolsonaro foi ele mesmo e ponto final. Quem vive no Brasil sabe disso. Os “gringos” souberam, de forma efetiva, agora.

Eliabe Castor
PB Agora

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