Por pbagora.com.br

Rogério Ceni é um dos maiores jogadores da história do São Paulo. Ganhou títulos importantes com atuações de destaque, é o goleiro com mais gols marcados no futebol mundial (89) e tem identificação com a torcida tricolor. Está há 20 anos no Morumbi e é o atleta que mais vestiu a camisa do clube. Amanhã, contra o Universitário, do Peru, atinge a rara marca de 900 jogos pelo São Paulo.

Como é alcançar 900 jogos?

É algo que significa mais para vocês, porque é número redondo. O 899 também significa pra caramba, mas ninguém perguntou nada no dia. Acho legal por estar jogando em um clube grande, jogar tantas Libertadores consecutivas, campeonatos importantes e ir ano após ano construindo essa marca. O jogo 900 não chega de um dia para o outro, chega por meio de uma história longínqua.

É raridade no futebol de hoje…

Temos exceções, mas poucos estreitam um laço tão forte com o clube. Há ainda alguns que começaram em outra década, quando o mercado era diferente, a mentalidade também. Mas quem começa hoje para ficar num clube durante tanto tempo é mais difícil, pois tudo é muito rotativo.

Já pensa no milésimo jogo?

Rapaz, eu procuro jogar o próximo. Quem sabe você possa estar aqui novamente daqui a um ano, um ano e meio, ou dois, não sei quanto tempo, e me pergunte sobre o milésimo jogo, ou quem sabe não vou nem chegar lá. Eu não faço projeção de mil jogos, cem gols. Quero ganhar em oito jogos mais uma Libertadores. Isso, sim, é bacana. Quero voltar a jogar um Mundial, ganhar outro Brasileiro. E para isso os jogos vão passando. Você pode até um dia me perguntar sobre os mil jogos, mas não tenho preocupação nenhuma.

Já tem data para parar?

Não vejo essa possibilidade em um curto espaço de tempo. E o dia em que for parar vou vir aqui ao CT e falar para todo mundo. Muito provavelmente, vá parar no fim do meu contrato em dezembro de 2012. Minha meta é jogar até lá, jogar bem, ganhar títulos. Não sei se vou chegar lá com 950 jogos, com 1.000, 1.050… A minha projeção, quando renovei o contrato, era chegar em condição física para jogar em bom nível até o fim do contrato.

O Cicinho disse que o time de hoje é melhor do que o de 2005…

Acho que ele quis dizer que esse time tem mais opções. Naquela época, tínhamos os 11 titulares e mais duas ou três substituições. Mas aquele time era competitivo. Pouquíssimos times com que joguei aqui foram tão competitivos. Ele tinha mais limitação técnica que o time de hoje, mas não desistia nunca. Era um time que corria 90 minutos, todos os jogos, determinado. Falta alcançarmos o nível de competição e determinação de 2005. Aí podemos nos comparar com ele.

Então só falta ser competitivo?

Já fomos campeões com times inferiores em opções e tecnicamente ao que temos hoje. Mas nunca fomos campeões sem luta e marcação. Esse é o principal quesito em que precisamos evoluir. Nós precisamos competir mais.

Você disse que, como capitão, precisava dar exemplo, se doar mais, trabalhar mais…

Por ser mais velho, você vai entendendo as pessoas. Quando é mais jovem é um pouco mais rebelde. Às vezes, você começa a ser muito mais compreensivo e, quando você é bonzinho, parece que as coisas não caminham tão facilmente. Você briga muito mais quando é jovem, você discute mais no bom sentido, mas parece que as coisas se ajeitam mais. Falo que para o time ser campeão terá de competir mais.

É o pai cuidando dos filhos?

Não que eu seja o pai, porque cada um tem sua função aqui. O modo de eu ver a vida, de enxergar o jogo e cobrar vai até um certo limite. A partir daí é o treinador é que tem uma certa influência, depois, a diretoria. Hoje muito mais do que cobrá-los, eu tento dar força, incentivar, motivar… Esse é o meu principal papel. Antigamente eu cobrava mais do que motivava. Hoje eu procuro motivar, falar, mostrar.

CRONOLOGIA

7 de setembro de 1990
Chega de Sinop (Mato Grosso) e faz teste no São Paulo
26 de junho de 1993
Estreia (contra o Tenerife)
3 de dezembro de 1996
Assume a posição de titular, diante do Colo Colo
15 de dezembro de 1997
Faz o 1º gol, contra o U. S. João

OS RECORDISTAS

Santos
Pelé 1.115 jogos
Palmeiras
Ademir da Guia 901 jogos
São Paulo
Rogério Ceni 899 jogos
Corinthians
Wladimir805 jogos

Estadão

Deixe seu Comentário