Por pbagora.com.br

Foi do jeito que o corintiano gosta. Se gosta, ninguém provou cientificamente. Mas é assim que a história escreve os capítulos mais emocionantes do clube do Parque São Jorge. A oito segundos do apito final, um golaço do volante Cristian tirou a vantagem que o São Paulo tinha na semifinal do Campeonato Paulista. O placar de 2 a 1, que reluzia na tarde deste domingo no estádio do Pacaembu, deu ao Timão o direito de jogar por um empate no próximo fim de semana para ir à decisão do Paulistão – contra Santos ou Palmeiras.

O duelo começou antes mesmo do apito inicial. O técnico corintiano, Mano Menezes, divulgou a sua escalação com 13 jogadores – além dos 11, deixou duas dúvidas no ar – e mandou os reservas aquecerem junto com os titulares. Tudo para tentar confundir o rival. Na hora da partida começar, a surpresa veio mais uma vez do lado corintiano. Mano armou a equipe com três atacantes: Jorge Henrique, Ronaldo e Dentinho. No São Paulo, o técnico Muricy Ramalho, como todos esperavam, escalou o 3-5-2, com Rodrigo entrando na vaga do machucado Zé Luís.

A bola rolou e o torcedor corintiano precisou de apenas 20 segundos para levantar – alguns nem tinham sentado ainda – da arquibancada. Douglas foi à linha de fundo e o seu cruzamento tinha a cabeça de Ronaldo como destino, mas a zaga tricolor conseguiu desviar antes para escanteio. Pouco depois, o Fenômeno protagonizou um lance que não costuma fazer parte do seu repertório. Ao dividir uma bola com André Dias, entrou por cima, solando, e levou cartão amarelo. O vermelho nem seria exagero…

O Corinthians era melhor no início da partida, principalmente explorando o seu lado esquerdo, com Douglas, André Santos e até Ronaldo caindo por ali. Para equilibrar o jogo, o São Paulo apostou na sua principal jogada: a bola levantada na área. Aos 18 minutos, Jorge Wagner cruzou da esquerda e quase pegou Felipe desprevenido. No reflexo, o goleiro do Timão salvou. Aos 24, Felipe não segurou. Novamente Jorge Wagner levantou a bola e Miranda desviou para o gol. O zagueiro saiu para comemorar, mas o lance teve duas irregularidades não assinaladas pelo trio de arbitragem: 1) no momento do lançamento, Miranda empurrou Chicão, tirando o corintiano de combate; 2) quando a bola saiu do pé de Jorge Wagner, Miranda estava 30 centímetros impedido.

Em maioria no Pacaembu, a Fiel não desanimou e passou a incentivar ainda mais. A resposta veio aos 28. Em linda jogada, Elias invadiu a área e tocou com o bico esquerdo no canto de Rogério Ceni. O goleiro tricolor, que acabava de sofrer o seu milésimo gol, nem se mexeu.

Aí foi a vez do Tricolor reagir. A essa altura, Muricy já tinha trocado Arouca, machucado, por Joilson. Nos minutos finais, o São Paulo teve duas chances claras de gol e não fez. Aos 38, depois de uma furada ridícula de Alessandro, Borges ficou livre na cara de Felipe, mas o goleiro cresceu e fez linda defesa. Aos 44, Elias marcou o seu segundo gol da tarde. Na verdade não marcou, mas foi como se tivesse marcado. Miranda completou cobrança de escanteio de cabeça e Elias salvou, também de cabeça, em cima da linha. E comemorou muito!

O Timão retornou melhor para o segundo tempo e teve a vida facilitada aos 11 minutos, quando André Dias foi expulso. Numa bobeira de Jorge Wagner, Elias roubou a bola e recebeu um encontrão do zagueiro. O árbitro Salvio Spinola Fagundes Filho deu vantagem, Ronaldo quase desempatou – Rogério Ceni defendeu –, mas, pela força do lance, o juiz voltou para mostrar o cartão amarelo para André Dias. Como era o segundo, levou o vermelho.

Com um jogador a mais, o Corinthians, enfim, passou a apostar no esquema com três atacantes. Dentinho e Jorge Henrique aberto nas pontas e Ronaldo enfiado pelo meio. Aos 14, o Fenômeno teve mais uma oportunidade e foi travado pela zaga. Aos 15, Jorge Henrique perdeu chance quase debaixo da trave.

A resposta veio num chute de longe de Jorge Wagner, aos 18. A bola desviou em Chicão e exigiu grande defesa de Felipe. Outro tentativa de longa distância foi aos 29, mas do outro lado. Douglas arriscou, Ceni se posicionou para encaixar a bola, mas ela tocou no seu braço e escapou. O camisa 1 escapou de levar um frango graças à trave. Pouco depois, o capitão tricolor se redimiu ao defender um chute forte de Elias, que recebeu passe de Dentinho.

 

Quando ninguém esperava por mais nada e o empate já parecia agradar aos dois lados, surgiu o pé direito de Cristian. A 18 segundos de acabar o acréscimo dado pelo árbitro, o volante acertou uma bomba no canto esquerdo de Rogério Ceni. E correu como um louco para comemorar com a torcida. Se muitos já tinham desistido, a Fiel sabia que até a última hora tudo pode acontecer. E aconteceu: Timão 2 a 1.

Até o reencontro, domingo que vem no Morumbi, os dois times terão compromissos complicados e fora de casa na quarta-feira: o Timão enfrentará o Misto, em Campo Grande, pela Copa do Brasil; e o Tricolor viajará até a Colômbia para jogar contra o Independiente Medellín, pela Taça Libertadores da América.

 

Globo.com

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