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Comitê Rio 2016 não recebeu dinheiro público, diz ex-ministro

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Ricardo Leyser era ministro do Esporte até Dilma Rousseff ser afastada da presidência da República, em abril. Em grande parte do ciclo olímpico, porém, ele ocupou o cargo de secretário de esporte alto rendimento da pasta, responsável pelo financiamento de cerca de R$ 4 bilhões para as construções das arenas esportivas e para a preparação dos atletas para os Jogos Rio 2016. Foi responsável direto pelas bolsas dos atletas e pelos convênios com as confederações, essenciais para que o Brasil atingisse o top 10 no quadro de medalhas.

O país ficou em 13º lugar, mas Leyser ficou satisfeito com o desempenho. Sobre o ciclo para os Jogos de Tóquio 2020, ele aguarda a votação da lei orçamentária de 2017 para saber quanto será destinado ao esporte no próximo ano pelo governo interino de Michel Temer. Por fim, Ricardo Leyser garantiu que em sua gestão no governo federal o Comitê Rio 2016 não recebeu dinheiro público, o que tem sido investigado pelo Tribunal de Contas da União.

A proposta do comitê organizador dos Jogos foi sempre trabalhar com dinheiro privado. O orçamento da operação é estipulado em R$ 7,4 bilhões. A entidade, porém, tem tido dificuldade para fechar esta conta. Promoveu cortes, e agora tem dificuldade para organizar a Paralimpíada – tanto que pediu ajuda de R$ 250 milhões para o Município do Rio e a União. Em caso de prejuízo, a conta será dividida entre a Prefeitura e o governo do Estado do Rio. A União faria parte dessa divisão, mas ano passado retirou as garantias federais.

A manobra foi vista como uma maneira de evitar o uso de dinheiro público pelo Comitê e o consequente controle do TCU e do Ministério Público Federal. Leyser, porém, explica que ao comprar equipamentos esportivos, contribuir na energia elétrica e executar a segurança nas arenas a União teria cumprido a sua cota de garantia. O dinheiro, segundo ele, foi gasto diretamente pelo governo, sem ter passado pelo Rio 2016. Um pedido de ajuda para as cerimônias também foi feito, mas o Comitê acabou recuando.

– Nunca houve investimento público. Nós não repassamos dinheiro. Executamos diretamente. Tivemos reuniões em que o comitê informou que havia equilíbrio do orçamento. Havia sido feita uma solicitação para que as cerimônias fossem apoiadas pela Lei Rouanet. O comitê desistiu desse caminho – disse Leyser, atualmente vice-presidente da Empresa Olímpica Municipal.

Dentro desse pacote de ajudas também está incluída a substituição de última hora de uma empresa privada que faria a revista dos torcedores nas entradas das arenas por agentes reformados da Força Nacional.

Para o próximo ciclo olímpico, Leyser aguarda pela votação da lei orçamentária de 2017 para saber quanto será reservado para o Ministério do Esporte, que deverá virar uma secretaria do Ministério da Educação. Ele diz que o governo de Dilma estava comprometido com o próximo ciclo.

– A primeira grande avaliação que teremos no governo Temer será com a lei orçamentária. Que importância o governo dará ao esporte. Eu avalio que a questão não é o ministério, mas que papel ele vai ter no governo – disse.

Para Leyser, a chave para o Brasil crescer em relação aos Jogos de Londres foi a descentralização do investimento nos atletas, ao apoiar não apenas aqueles que tinham mais chances.

– No Plano Brasil Medalha não apoiamos apenas o (ginasta Arthur) Zanetti, mas todos os atletas. Acabamos sendo surpreendidos com o desempenho de alguns, como Diego Hypólito e Arthur Nory – disse.

Leyser considera excepcional o desempenho do Brasil nos Jogos. A delegação estava preparada para atingir o top 10, que não saiu por três medalhas.

– Não foi atingida principalmente por modalidades que não fizeram uma Olimpíada como era esperado, como a natação, vôlei e judô. Não chegamos lá não por despreparo, mas por nuances esportivas.

 

Globo Esporte

Foto: Nathalia Werneck – CoordCOM/UFRJ

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