A Paraíba tem hoje a maior oferta de vagas do País no ensino superior público federal: são 27,4 para cada 10 mil habitantes, de acordo com o Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec).

Embora superando unidades da Federação como o Distrito Federal (22,8) e quase triplicando a média brasileira (9,8), o indicador paraibano não implica em ampla oferta de vagas. Neste ano, por exemplo, considerando que mais de 187 mil candidatos se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que há pouco mais de 14,5 mil vagas nas instituições públicas do Estado, conclui-se que a graduação só chega para 7,7% dos que a buscam, sendo a ponta de um funil que começa ainda no ensino fundamental.

 

Por outro lado, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, das 2,4 milhões de pessoas com mais de 20 anos na Paraíba, apenas 180.364 (7,3%) são “formadas”, um dos piores indicadores brasileiros.

A maioria dos paraibanos com mais de 10 anos não tem instrução, ou tem o ensino fundamental incompleto: são 1,9 milhão de pessoas, o equivalente a 61,53% do total. A realidade é bem distante da de São Paulo, que, embora tenha uma proporção de apenas 1,4 vagas em universidades federais para cada 10 mil habitantes, tem o dobro do percentual de habitantes acima de 20 anos, com ensino superior: 14,2%.

 

Especialistas afirmam que esse paradoxo advém do fato de que a Paraíba é um dos poucos Estados onde a rede pública de ensino superior é maior que a particular, diferente do que ocorre em São Paulo. “Tem muita gente querendo entrar nas universidades, mas, infelizmente, a porta é estreita”, resumiu o reitor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Rangel Júnior.

A educação excludente está entre os motivos da  onda de protestos dos últimos dias no Brasil, os quais fizeram a presidente Dilma Rousseff prometer 100% dos royalties do petróleo para a área, uma esperança de universalizar o ensino no País, quantitativa e qualitativamente.
 

Folha do Sertão

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