Em meio à polêmica de que funcionários de lojas da cidade de Campina Grande, na Paraíba. teriam sido obrigados pelos patrões a participar de protesto que pedia a reabertura do comércio, realizado na última segunda-feira (27), o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas da cidade (CDL-PB) que também é pré-candidato a prefeito da Artur Bolinha, do PSL, e que foi um dos organizadores do ato, teve seu nome envolvido em mais uma polêmica após uma  suposta ex-funcionária de uma das suas lojas revelar em vídeo, os bastidores das más condições de trabalho a que foi submetida.

No vídeo, amplamente divulgado nas redes sociais, a jovem diz que teria trabalhado de 2017 a 2018 em uma das lojas do empresário em um dos shoppings da cidade, onde lá teria sido obrigada a comprar um sapato da loja para poder trabalhar, além de não ter recebido horas-extras devidamente compromissadas em acordo verbal, bem como, revela traumas da época.

“Eu nunca sofri tanto na minha vida. Eu trabalhei durante os primeiros dias, eles não pagaram. Eu fiz a montagem da loja e não pagaram um centavo e quando a gente foi cobrar a gente estava errada. Depois eles nós obrigaram comprar um sapato da loja que custa em média de R$ 200 a R$ 300 e eu tinha que pagar 50% do sapato, ou seja, a gente já entra com uma dívida. Prometem uma comissão que a gente nunca viu a cor dessa comissão”, disse a jovem.

Veja o depoimento completo da ex-funcionária de Bolinha:

A reportagem do PB Agora tentou entrar em contato com o presidente da CDL, Artur Bolinha, para repercutir a denúncia, mas não obteve sucesso.

OUTRO LADO

Após a repercussão nacional de que funcionários teriam sido coagidos a se ajoelharem para cobrar a reabertura do comércio na cidade,  uma estudante de jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) que fez as fotos e a cobertura do ato em prol da abertura do comercio na cidade, esclareceu suas fotos que foram publicadas na mídia nacional em contexto divergente. Segundo ela, os funcionários se ajoelharam porque quiseram e foram até o ato por livre e espontânea vontade.

Veja o depoimento:

A Paraíba tem 633 casos confirmados do novo coronavírus e 53 óbitos em decorrência da doença. Em Campina Grande, foram contabilizados 42 pacientes com a Covid-19.

INVESTIGAÇÃO

O Ministério Público do Trabalho na Paraíba anunciou que irá investigar o protesto para apurar denúncias de que os funcionários das lojas teriam sido obrigados pelos patrões a participar de protesto.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Comerciários de Campina Grande, José Nascimento Coelho, ele que recebeu algumas denúncias de empregados que foram ameaçados de demissão se não estivessem presentes no ato. Porém não foi confirmado se os funcionários também teriam sido obrigados a se ajoelhar para rezar.

O Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública da Paraíba, em Campina Grande emitiu uma nota em repúdio a prática de coação e que irá apurar a veracidade das informações.

” O Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública da Paraíba, em Campina Grande, diante de notícias de que trabalhadores teriam sido coagidos a participar de manifestação ocorrida no dia 27 de abril de 2020, para reabertura do comércio local, com ameaça de afastamento de seus postos de trabalho caso não participassem, em sendo verdadeiras estas acusações, manifesta o seu repúdio a tal prática de coação.A dignidade da pessoa humana é um dos principais fundamentos da República Federativa do Brasil, devendo ser respeitada no âmbito das relações de trabalho, especialmente em relação à figura do trabalhador, parte mais vulnerável destas relações, vulnerabilidade esta que se encontra potencializada pela atual crise pandêmica pela qual passa não só o Brasil, mas todo o planeta.Desta forma, a utilização de coações ou de quaisquer outras formas que atentem contra a liberdade e a dignidade dos trabalhadores, especialmente nas atuais circunstâncias já apontadas, deve ser prontamente repudiada e investigada pelas autoridades competentes (às quais a Defensoria Pública da Paraíba oficiará, solicitando providências), e, em sendo constatada a veracidade destas acusações, devem sujeitar os responsáveis às medidas legais cabíveis”.

 

Redação

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