Por pbagora.com.br

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira, em Brasília, que o prejuízo com o vazamento da prova do Enem será de 30% do valor total do contrato, que custou R$ 116 milhões, segundo a pasta. Dessa forma, a perda estimada é de aproximadamente R$ 34 milhões –valor apenas das impressões. Não se sabe ainda quem deve assumir esse prejuízo.

Em decorrência do vazamento das informações, o ministro decidiu adiar a aplicação da prova, que aconteceria neste fim de semana. Ainda segundo Haddad, o MEC já possui uma segunda prova do Enem para substituir o exame que vazou, mas o material ainda precisa ser impresso. A expectativa é que a prova aconteça dentro de 30 a 45 dias.

O vazamento da prova foi denunciado pelo jornal "O Estado de S.Paulo". Segundo a reportagem, o jornal foi procurado por dois homens que informaram ter recebido o material na segunda-feira (28) de um funcionário do Inep, órgão ligado ao MEC. Eles apresentaram a prova e pediram o pagamento de R$ 500 mil por ela. O jornal teve acesso a detalhes do conteúdo, que conferiram com o que o MEC tinha.

De acordo com Haddad, os fraudadores se comportaram de uma forma bastante "anômala" pelo fato de não terem se preocupado em se expor. "Dessa forma vamos chegar aos atores do delito com alguma rapidez", destacou o ministro.

Haddad ainda afirmou que as provas foram mantidas divididas até chegarem à gráfica responsável pelas impressões, em São Paulo, mas destacou que apenas as investigações vão determinar se a empresa foi responsável pelo vazamento da prova. Representantes do consórcio que venceu a licitação do projeto estão viajando a Brasília para reunião hoje com o ministério.

Mesmo que a empresa seja considerada culpada pela fraude, o ministro destaca que não há tempo de fazer uma nova licitação. Ele apontou duas opções: continuar com o consórcio ou contratar uma empresa em caráter de urgência. A última opção é improvável, já que o consórcio vencedor foi o único a concorrer à licitação.

Investigação

O ministro informou que as investigações sobre o vazamento da prova do Enem devem começar no Estado de São Paulo devido à denúncia ter partido do Estado e pelo fato de a prova ter sido mantida dividida até a fase de impressão, que aconteceu em uma gráfica de São Paulo.

Apesar disso, o ministro destacou que todo o processo de desenvolvimento da prova será analisado. O inquérito foi aberto pela PF (Polícia Federal) na manhã de hoje.

Ainda segundo Haddad, as provas do Enem estavam no fim da fase de impressão e já eram distribuídas em algumas regiões. Toda a região Norte já estava abastecida, por exemplo, e os últimos lotes seriam distribuídos em São Paulo. São 10 mil pontos de prova em todo o Brasil.
 

Folha