Por pbagora.com.br

A Páscoa este ano marca a consolidação definitiva de uma tendência que dá um fôlego bem vindo ao setor em meio à crise financeira internacional: a diversificação dos presentes, que agora vão muito além dos tradicionais ovos de chocolate. Segundo pesquisa do o Centro de Estudos do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio), empresários de setores variados que vão de brinquedos – especialmente bichos de pelúcia – a jóias, passando pela onipresente telefonia celular, estimam vendas 7% maiores do que no mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, a Páscoa tem potencial para tornar-se um novo Dia dos Namorados, data que só perde para o Natal e o Dia das Mães em importância para o comércio. Gonçalves destaca a estratégia de apelar para os aspectos do imaginário infantil e romantismo inerentes ao feriado cristão para estimular a venda de artigos para crianças, entre brinquedos e roupas, e tradicionais presentes de namorados, como perfumes, jóias e CDs. O empresário destaca ainda a crescente preocupação dos pais com a saúde dos filhos como mais uma razão para diversificar presentes e evitar a ingestão exagerada de doces.

– Já vínhamos observando essa tendência, que teve força no ano passado. É uma diversificação que é boa para todo mundo – diz Gonçalves.

Chocolates mantêm atração

A aposta do comércio em artigos fora do reino dos doces não parece ter afetado o consumo dos itens mais tradicionais da Páscoa. O aumento de 4,8% na produção de ovos de chocolate – com um total de 24 mil toneladas já nas lojas – confirma a teoria do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Getúlio Ursulino Netto. Segundo Ursulino, o consumo na Páscoa é crescente, mas de forma paralela em diversos setores, enquanto o chocolate mantém o papel de carro-chefe.

– Isso tudo é acessório. Faz parte do conjunto, as pessoas trocam presentes, mas o que marca a data é o ovo de Páscoa – diz.

Como exemplo desse crescimento conjunto, o presidente da Abicab destaca o crescimento das vendas de outros produtos clássicos do período, como bacalhau, azeites e vinhos – nacionais, em período de crise, já que os importados subiram 13,7%, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

A Abras previu crescimento de 10,3% nas vendas durante a Páscoa deste ano. Já uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) mostra que 69,6% dos entrevistados estão confiantes de que o faturamento em 2009 deve ser maior na comparação com 2008. O setor espera faturar até 10% mais do que na Páscoa do ano passado.

Em mais uma evidência do bom momento que o feriado representa para o comércio – de chocolates ou não –, os presidentes da CDL-Rio e Abicab concordam que a crise financeira internacional não teve grande influência sobre os setores relacionados à Páscoa.

Para Aldo Gonçalves, a economia carioca resiste bem à crise por ser baseada em sua maior parte em bens de consumo, serviços e turismo, enquanto a maior parte do impacto da turbulência tem sido sobre a indústria. Ursulino Netto vai na mesma linha.

– A crise existe para bens de consumo duráveis, geladeiras, carros… um ovo de chocolate de 300 gramas fica entre R$ 15 e R$ 18, e tem muito significado. Mesmo uma avó que tenha cinco netos pode parcelar em duas vezes de R$ 50, não é tão pesado – tranquiliza o presidente da Abicab.

JBonline

 

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