Por pbagora.com.br

Maria Clara Oliveira, do município de Cabaceiras, participou do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP)

 

Transformar retalhos de couro em pulseiras coloridas e cheias de estilo para vender às amigas, vizinhas e aos familiares. Foi essa a ideia que surgiu na mente de Maria Clara Oliveira, de 11 anos, para aproveitar as sobras da matéria-prima utilizada pelo seu pai na produção de peças de artesanato no município de Cabaceiras, no Cariri paraibano. A iniciativa, que conquistou os amigos e a família, é fruto do primeiro contato da estudante com o universo do empreendedorismo, através do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), desenvolvido pela Unidade de Educação Empreendedora do Sebrae Paraíba.

Quando participou do programa, na Escola Maria Neuly Dourado, Maria Clara tinha apenas nove anos. Segundo a mãe dela, Marilia Michelli Costa, foi um jogo de tabuleiro que despertou o interesse dela pelo tema. “Primeiro, ela chegou falando sobre o jogo, dizendo que ele era super legal e que precisava economizar para conseguir chegar no final desse jogo. A partir disso, já comecei a perceber o comportamento dela de perguntar o preço das coisas e de fazer a relação de ser caro demais ou de estar dentro do que a gente poderia pagar”, explicou.

Ainda conforme Marilia, outros comportamentos de Maria Clara chamaram a atenção da família. “Certa vez, a escola levou os alunos para o cinema, inclusive utilizando o valor que eles conseguiram arrecadar com a feirinha realizada dentro do JEPP. Ela (Maria Clara) me disse que enquanto as amigas compraram um hambúrguer que custava o dobro do valor, porque tinha um brinquedo, ela saiu andando no shopping e encontrou um local onde comprou dois hambúrgueres, uma bebida e ainda trouxe o troco para casa”, recordou.

Conforme foi adquirindo os conhecimentos previstos pela metodologia do JEPP, que leva em consideração a faixa etária de cada turma, Maria Clara decidiu confeccionar as pulseiras. “Nessa mesma época, depois da implantação do JEPP na escola, a fala dela era: vou vender isso, posso vender isso mãe? Até que ela teve a ideia de pegar alguns retalhos de couro que sobravam do artesanato que o pai produz, disse que iria fazer pulseiras para vender, e assim fez, saiu vendendo na escola e na vizinhança”, relatou Marilia.

Ao falar sobre a experiência do JEPP, a própria Maria Clara relatou o que aprendeu. “Eu aprendi que para a gente ofertar um produto nós temos que ver se esse produto vale a pena ser ofertado e se vamos obter lucro suficiente para manter esse negócio vivo. Eu gostei muito de aprender empreendedorismo porque assim eu pude saber mais e pensar mais se valeria a pena gastar ou economizar dinheiro”, afirmou a estudante.

Para a analista técnica do Sebrae Paraíba, Fabíola Vieira, exemplos como o de Maria Clara demonstram na prática a missão da educação empreendedora, que é despertar o interesse da sociedade pelo tema, utilizando técnicas que articulam o fazer e o conhecimento.

“A educação empreendedora se propõe a construir alicerces e parcerias estratégicas. Nesse sentido, o principal esforço no processo educacional é o desenvolvimento de uma inteligência autônoma dos futuros profissionais, que se utilize de uma análise crítica da realidade social na qual o aluno está inserido, contribuindo para a prática do aprender a pensar, do desenvolvimento da tomada de decisão, da capacidade criativa e da livre iniciativa”, afirmou Fabíola Vieira.

Ainda falando sobre o assunto, a analista destacou que, diante do cenário de crise vivido pelo país, a educação empreendedora também tem a proposta de trazer um novo olhar e novas estratégias de interação com o ecossistema educacional, contribuindo para a superação dos desafios que a pandemia está impondo ao processo de ensino e aprendizagem.

“Diversos estudos apontam que a atitude empreendedora pode e deve ser desenvolvida nas mais distintas áreas da vida e, assim, gerar benefícios para o indivíduo e o seu meio social. Dessa forma, é na perspectiva do empreendedorismo que conceitos relacionados ao desenvolvimento inerente ao sujeito são abordados, com destaque para a ideia do empreendedor como um sujeito capaz de aperfeiçoar-se nas diversas esferas da vida, buscando a melhor versão de si mesmo”, acrescentou.

Por sua vez, a coordenadora da educação empreendedora e financeira em Cabaceiras, Rosilene Nunes, destacou que as ações na área tiveram boa receptividade entre os alunos, que conseguiram absorver e colocar em prática as lições aprendidas. “Mesmo em casa, e apesar do surgimento da pandemia e de todas essas dificuldades, o conhecimento que os alunos aprenderam eles estão praticando”, pontuou. As informações são do Sebrae Paraíba.

 

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