Por pbagora.com.br

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou nesta quarta-feira (8) o nome de Aldemir Bendine para a presidência do Banco do Brasil (BB). Segundo ele, a indicação veio após o pedido de demissão do Antonio Francisco de Lima Neto, que comanda a instituição somente até o dia 22 de abril. Mantega disse ainda que a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda de Ramos Coelho, continua em seu cargo.

‘Contrato de Gestão’

Mantega afirmou que o novo presidente do BB, Aldemir Bendine, assume o cargo com um "contrato de gestão". Segundo ele, a missão de Bendine é aumentar o volume de crédito concedido pela instituição financeira, de tornar o BB mais competitivo, ou seja, concorrer mais com outros bancos, além de reduzir o "spread bancário" (diferença entre a taxa de captação dos bancos e aquelas cobradas de seus clientes) e, por consequência, também as suas taxas de juros.

 

"Ele [Bendine] virá com uma missão específica. Agilizar crédito, concorrer mais com grandes bancos e incorporar novos clientes. O BB pode crescer mais. Já vem crescendo fortemente. Deve crescer mais. Mas mantendo os princípios da responsabilide e seguranca. O BB tem se pautado pelo profissionalismo", disse o ministro da Fazenda.

 

Lula e o spread

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta, ao confirmar a saída de Lima Neto da presidência do BB, que estava obcecado pela redução do spread (a diferença entre o quanto as instituições financeiras pagam por recursos e o quanto cobram dos seus clientes).

 

“A redução do spread bancário nesse momento é uma obsessão minha. Nós precisamos fazer o spread voltar a normalidade no país. Esse é um dado, o Guido sabe disso, o Banco do Brasil sabe disso, a Caixa Econômica Federal sabe disso, o Banco Central sabe disso." Não há necessidade do spread bancário ter subido tanto no Brasil de julho para cá. Não há. E, obviamente, que quem tem bancos públicos como o Brasil pode através dos bancos públicos começar essa tarefa de reduzir a taxa de spread”, argumentou.

Ingerência política

Mantega negou, durante o anúncio, que haja ingerência política, ou partidária, no BB. "Não se pode falar em ingerência. Se o presidente do BB pede demissão, temos de substituí-lo. Falar em ingerência política ou partidária, é bobagem. Se houve ingerência politica foi para o bem, pois foi o banco que teve a maior taxa de lucratividade em 2008", afirmou o ministro.

As ações do BB, por conta da troca de comando da instituição, operam em queda nesta quarta-feira. Segundo o ministro da Fazenda, o BB vai continuar tendo lucro. "É um banco sólido. Os acionistas podem ficar tranquilos", disse Mantega.

Bendine, por sua vez, afirmou que buscará reduzir o "spread bancário" da instituição financeira, e manter o seu lucro, por meio do aumento do volume de suas operações de crédito.

Currículo

Nascido em Paraguaçu Paulista (SP) em 1963, Aldemir Bendine é funcionário de carreira do Banco do Brasil e afirmou não ter vinculação com nenhum partido político, embora seu nome seja ligado ao PT nos corredores de Brasília.

 

Conhecido como Dida, ele começou sua carreira na agência da instituição financeira em sua cidade natal em 1978, como estagiário. Entrou para a carreira do BB em 1982, por meio de concurso público.

Formado em Administração de Empresas, foi gerente em Piracicaba (SP), assessor na Superintendência II de São Paulo, gerente-executivo da Diretoria de Varejo do BB (Soluções do mercado de cartões para o segmento corporativo), e secretário-executivo do Conselho Diretor do BB, chegando a vice-presidente do setor de Varejo do banco em dezembro de 2006.

 

É casado com Silvana Maria e pai de duas filhas, Amanda e Andressa. Recebeu, no ano passado, o título de cidadão benemérito de Paraguaçu Paulista. É torcedor do Palmeiras e, quando jovem, gostava de ouvir a banda de rock Queen.

G1

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