Por pbagora.com.br

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o Brasil crescerá acima dos 4,5% em 2010, depois de as expectativas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontarem para um crescimento de 0,2% a 1,2% neste ano.

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Bolsa Família é responsável por 3% dos votos de Lula em 2006, diz estudo

Para Lula, a economia brasileira, junto da chinesa, é a que está se recuperando "com maior vigor" frente à crise. "De todos os países do mundo, de todos, China e Brasil são os dois países que estão em melhor situação. A economia brasileira está se recuperando. Temos os pés no chão, mas os sinais são para um crescimento superior a 4,5%", disse Lula.

Em cerimônia de formatura de turmas do Plano Setorial de Qualificação e Inserção Profissional para o Bolsa Família, em Belo Horizonte, Lula deu como exemplo para sustentar sua afirmação o aumento na atividade do setor automotivo e o aumento de 30% nas vendas de eletrodomésticos no primeiro trimestre.

"A máquina de lavar roupa é a maior independência das mulheres", disse o presidente em referência à "invulnerabilidade" do setor da linha branca no período de crise.

Em documento divulgado nesta quinta-feira, o Ipea informou que a revisão dos dados da economia brasileira para 2009 se deve à surpresa com o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) divulgado pelo IBGE no começo de junho.

"A motivação para a mudança foi o resultado inesperado, para nós, do PIB do primeiro trimestre de 2009. Esperávamos que a economia crescesse 0,1% ou ficasse estagnada, mas houve uma queda, relativa ao trimestre anterior, de 0,8%", disse João Sicsú, diretor do Ipea.

Sicsú disse esperar que, depois da queda no PIB registrada no último trimestre de 2008 e no começo de 2009, haja uma recuperação. Para os últimos três trimestres do ano, o instituto prevê uma expansão de, respectivamente, 2%, 2,3% e 2,4%.

Bolsa Família

O presidente ainda alfinetou os críticos do programa Bolsa Família. Ele chamou de imbecis e ignorantes aqueles que classificam o projeto como eleitoreiro ou assistencialista.

"Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia e vai por aí afora. Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala ‘o Bolsa Família é para deixar as pessoas preguiçosas porque quem recebe não quer mais trabalhar’", disse.

O governo federal reajustou nesta sexta-feira em 9,68% o valor do benefício. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o aumento terá um impacto de R$ 406 milhões no Orçamento de 2009.

Antes da cerimônia, em entrevista à rádio Itatiaia, o presidente defendeu o Bolsa Família e também condenou os que criticam o benefício. Segundo Lula, a "porta de saída" do Bolsa Família é o crescimento econômico do país e a geração de emprego.

"Somente uma pessoa ignorante ou uma pessoa de má-fé ou uma pessoa que não conhece o povo brasileiro será capaz de dizer que uma pessoa que recebe o Bolsa Família vai ficar vagabundo e não quer mais trabalhar. É não conhecer a sociedade brasileira", afirmou. "Mas essas pessoas se esquecem que o Brasil é dividido entre as pessoas que tiveram oportunidade e as que não tiveram oportunidade."

Patrimônio eleitoral

Segundo estudo do pesquisador Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o programa Bolsa Família foi responsável por um aumento de cerca de três pontos percentuais na votação do presidente Lula segundo turno das eleições presidenciais de 2006.

Na ocasião, Lula obteve 60,83% dos votos, ou seja, mais de 58,2 milhões. O tucano Geraldo Alckmin ficou em segundo lugar, com 39,17% dos votos.

O levantamento indica ainda que o impacto do programa nas eleições foi maior que o gerado pelo desempenho da economia.

Segundo a pesquisa, em 2002, Lula foi particularmente bem sucedido em regiões mais urbanizadas e desenvolvidas do país. Já em 2006, ocorreu uma migração da base eleitoral para regiões menos desenvolvidas –mais dependentes do Estado e mais beneficiadas pelo programa.

Segundo o estudo, o aumento de um ponto percentual no número de beneficiários do programa elevou em 0,55 ponto percentual a votação de Lula em 2006, enquanto que a mesma variação na taxa de crescimento econômico incrementou a votação em apenas 0,21 ponto percentual.

O efeito eleitoral do Bolsa Família nos Estados das regiões Norte e Nordeste foi superior ao dos demais Estados do país. Em Alagoas, por exemplo, o programa aumentou em 8,17 pontos percentuais a votação de Lula, enquanto que no Rio de Janeiro e São Paulo o incremento foi de 1,12 e 1,89 pontos percentuais, respectivamente.

Pelos números pesquisados, Alagoas foi o Estado onde o efeito do Bolsa Família mais contribuiu para a votação de Lula, seguido de Roraima (6,85%) e Acre (6,53%).

 

 

 

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