Por pbagora.com.br

A menor pressão dos alimentos vem contribuindo para a queda da inflação nos últimos meses, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A taxa acumulada nos últimos 12 meses teve a sexta queda consecutiva no ano em julho, ficando em 4,50% –exatamente no centro da meta da inflação estipulada pelo governo.

Essa taxa é a menor para o acumulado em 12 meses desde dezembro de 2007, quando havia sido de 4,46%.
 

A coordenadora de índice de preços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eulina dos Santos, explicou que a queda no preço dos alimentos, que tiveram deflação de 0,06%, deve-se à combinação entre uma boa safra e a redução das exportações, devido à menor demanda mundial em função da crise. O resultado é uma sobra no mercado interno, que abastecido, acaba empurrando os preços para baixo.

"Apesar de a previsão da safra ser menor do que em 2008, será a segunda maior da história. E há uma grande quantidade de grãos no mercado, ajudada pelas vendas mais modestas para o exterior, em função da menor demanda", afirmou Eulina.

A economista do IBGE disse que a queda nos preços dos alimentos em julho foi generalizada. Em junho, o mesmo grupo apresentara alta de 0,70%. A maior parte dos alimentos desaceleraram em junho, com poucas exceções, caso do alho (de 11,75% em junho para 14,64% em julho), feijão carioca (0,76% para 6,46%) e açúcar refinado (0,76% para 1,46%).

Entre os produtos não-alimentícios, o grupo habitação teve forte aceleração de junho para julho (de 0,27% para 1,11%), puxado pelo reajuste da energia elétrica em São Paulo. Para agosto, está previsto ainda um pequeno resquício desse ajuste, que começou a ser aplicado no dia 4 de julho, além da pressão das tarifas de água e esgoto no Rio de Janeiro e das tarifas de táxi em Belém, Fortaleza e Salvador.

Nas 11 regiões pesquisadas, a alta mais forte em julho foi observada em São Paulo (0,57%), seguida por Fortaleza e Curitiba (ambas com 0,35%). Em Recife, houve deflação de 0,07%, assim como no Rio de Janeiro, (-0,05%) e em Salvador (-0,02%).
 

Folha