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Especialistas avaliam que ‘economia azul’ ainda tem muito potencial a ser explorado na Paraíba

O litoral brasileiro é um dos mais extensos do mundo, banhado pelo oceano atlântico. Além de abrigar maior parte da população brasileira, propicia o desenvolvimento de atividades econômicas como a pesca e o transporte marítimo, e os portos marítimos escoam mais de 90% das exportações. Para falar da importância, dos 130 quilômetros de extensão, do litoral paraibano, foram escutados os especialistas: com os economistas, Cássio da Nóbrega; Andréa Carvalho e Carlos Dias Chaym.

Um levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) detalhou a importância estratégia do Litoral para o Brasil. Conforme a pesquisa “PIB do Mar Brasileiro: Motivações Sociais, Econômicas e Ambientais para sua Mensuração e seu Monitoramento”, pelas águas jurisdicionais brasileiras transitam mais de 90% de todo o comércio exterior. Além disso, a faixa litorânea do país abrange treze capitais e mais de 30 milhões de habitantes.

O estudo apresenta ainda o oceano como um agente econômico, que gera a chamada “economia azul”. A análise inclui as atividades de mineração marinha, energias renováveis (energia limpa, como a eólica) e não renováveis offshore (petróleo e gás natural), e indústria naval. Considera também o setor imobiliário como uma das atividades e destaca a grande concentração de imóveis nas praias, áreas com o metro quadrado mais caro.

A pesquisa aponta que a economia do mar brasileira representou em torno de 20% do PIB do país, no período de 2015 a 2018. Apenas em 2018, a estimativa é de R$ 1,363 trilhão de valor adicionado bruto (VAB), índice que mede a produção de riquezas. Se a economia azul do Brasil fosse um país, em 2018, seria a segunda maior economia da América do Sul. Segundo Cássio da Nóbrega, os setores que compõem a economia do mar são relevantes. “Habitualmente, estamos acostumados a destacar o setor de serviços e a construção civil, como motores de nossa economia. Mas, é válido incentivar outras atividades, como as ligadas ao mar. Na região Nordeste não é diferente. O turismo é um ramo forte para a economia dos estados, incluindo a Paraíba. É uma atividade que contempla vários segmentos e possibilita a vinda de visitantes que podem ser investidores”. O professor comenta que os pequenos negócios também podem ser beneficiados. De acordo com ele, na Paraíba, mais de 90% das empresas instaladas são de pequeno porte e podem ser impactadas. “Podemos impulsionar a formalização na pesca e no artesanato, e temos potencial de incentivar o empreendedorismo no estado”, afirmou. Veja mais detalhes da pesquisa do IPEA: https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=39035:2022-03-15-19-02-10&catid=462:2022&directory=1

Já a economista Andréa Carvalho, a partir dos anos 1990, surgiu um novo tipo de PIB do mar, o chamado PIB azul. “Ele é um upgrade, traz um forte componente de sustentabilidade e inovação ao tema”, diz Carvalho ao avaliar ainda que a dificuldade em estimar o tamanho do PIB do mar no Brasil está em definir exatamente quais atividades entram ou não nele. Em cidades costeiras, por exemplo, a localização próxima ao mar valoriza imóveis ou redes hoteleiras, e esse benefício pode ser considerado um elemento da economia marítima. Por isso, o PIB do mar englobando atividades mais indiretas sempre será maior que as diretas. “O Brasil tem uma zona costeira com forte concentração industrial, no litoral ou perto, e muitas regiões metropolitanas também em zonas litorâneas, isso faz com que a economia do mar considerando tudo isso seja mais alta”, diz.

Carlos Dias Chaym, afirma que o PIB do mar não fica restrito, como o nome sugere, a atividades praticadas nos mares ou regiões costeiras. É possível incluir, por exemplo, algumas atividades fluviais, como a do porto de Manaus. Em geral, os setores desse tipo de economia mais presentes no Brasil são o de navegação, turismo, geração de energia no mar (offshore) ou em costa, pesca, aquicultura e extração de petróleo e gás. “O tamanho dessa economia do mar varia de país para país, e quais atividades eles consideram como sendo da economia do mar, e nem sempre tem dados tão atualizados, mas o Brasil tem uma costa muito grande, mais de 9 mil quilômetros de litoral”, afirmou.

Da Redação

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