Por pbagora.com.br

 Acostumados a trocar de emprego em busca de desafios e desenvolvimento profissional constantes, a chamada geração Y – jovens nascidos entre as décadas de 80 e 90 – começa a se deparar com o fantasma do desemprego, que começou a bater à porta dos brasileiros com mais intensidade este ano.

Esses jovens cresceram em um período de prosperidade econômica. Pelo fato de mudarem constantemente de emprego, levaram até as empresas a pensar em estratégias para segurar talentos. Mas agora eles enfrentam a alta na taxa de desemprego no país, que aumenta principalmente entre os jovens.

Entre maio do ano passado e maio deste ano, o desemprego subiu de 4,9% para 6,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E a intensidade desse crescimento foi mais forte entre os jovens de 18 a 24 anos. Nesta faixa de idade, a taxa de desocupação passou de 12,3% em maio de 2014 para 16,4% em 2015. Ainda segundo o IBGE, em maio deste ano, o grupo de 18 a 24 anos representava 32% da população desocupada, e o de 25 a 49 anos, 51,1%.

 

E a rotatividade entre os jovens, antes pesadelo das empresas, começou a cair. Segundo dados do Ministério do Trabalho, em 2011, o índice entre os jovens de 18 a 29 anos que mudavam frequentemente de emprego era de 55%, ante 44% entre toda a população empregada formalmente. O cenário, entretanto, mudou, com a redução no ritmo de criação de vagas ao longo de 2014. No ano passado, o índice de rotatividade nesse grupo foi de 49%, bem próximo do índice geral, de 44%.
Uma semana no emprego

Renato Della Colleta, de 32 anos, se encaixa no perfil inquieto dos jovens da geração Y – ele já mudou de emprego 11 vezes em cerca de 10 anos por melhores oportunidades profissionais e salários. Só no mês passado, ele pediu demissão duas vezes. Em seu último emprego, o graduado em propaganda e marketing ficou apenas uma semana.

 

Ele conta que pediu demissão do emprego anterior, onde havia permanecido por um ano e 7 meses, para finalmente realizar seu sonho de ser gestor. No entanto, ele reclama que as empresas estão enxugando o quadro de pessoal. Assim, menos pessoas fazem as mesmas atividades feitas anteriormente por mais gente. “Me demiti da empresa anterior, pois teria a chance de alcançar um cargo maior, mas não tinha ideia de que esse novo cargo era para no mínimo duas pessoas e, em uma semana de trabalho, fui cobrado por resultados que era impossível obter nesse curto período”, diz.

Colleta acredita que as condições de mercado de trabalho hoje são as piores dos últimos anos. “Antes de decidir aceitar a última proposta e pedir demissão eu senti muito medo, a cada dia vemos mais amigos e conhecidos serem demitidos e nos cadernos de empregos dos jornais é deprimente. Nas últimas três semanas surgiram duas vagas na área de criação, com cargos e salários inferiores. A média antes era quase o triplo de vagas”, lamenta. E se vê pessimista ante o futuro do país. “Acredito que a situação deve piorar, a economia do país parou de crescer, tornando inevitável o fechamento de vagas ou, até pior, o de empresas.”

Agora, Colleta pensa em mudar de profissão e ir para a área de beleza. Ele pretende fazer um curso profissionalizante e, assim, seguir a carreira dos seus pais, que são cabeleireiros.

 

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G1
 

 

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