Por pbagora.com.br

 Antes, eles eram apenas uma classe que estava enriquecendo no Brasil. Hoje, eles já são maioria e estão na mira das empresas de todos os setores, tendo se transformado no mais relevante mercado consumidor do País. A chamada classe emergente já soma 108 milhões de indivíduos, mais que países como Alemanha, Egito ou França – se fossem uma nação, seriam o 12º Pais do mundo em população. O cacife é da mesma magnitude: seriam o 18º país do planeta em consumo – poderiam, inclusive pertencer ao G20.

 

Não por acaso se transformaram no principal alvo das empresas de consumo e serviços em todo o Brasil. No ano passado gastaram R$ 1,17 trilhão e movimentaram 58% do crédito distribuído em território nacional. E quem acha que o modelo de consumo se esgotou, pode estar enganado: para este ano, a previsão é vender de 11,7 milhões de viagens nacionais e internacionais, 7,8 milhões de notebooks, 4,5 milhões de tablets e mais 3,9 milhões de smartphones.

 

Essas são as expectativas da pesquisa Faces da Classe Média, lançada nesta terça-feira (17) pelo Serasa Experian em parceria com o Instituto Data Popular. Por classe média, a pesquisa entende famílias com rendas entre R$ 320 a R$ 1,120 mil por pessoa. "Nossa classe média é mais rica que 54% da população mundial", diz Renato Meireles, diretor-presidente do Data Popular.

 

Dentro deste grupo, a pesquisa identificou quatro perfis. Em comum entre eles está a larga utilização do crédito. Se estão devidamente educados para isso, é uma outra história. "As empresas estão preocupadas em fornecer educação para o crédito, mas o volume de investimentos para o assunto é uma particularidade de cada uma", diz Ricardo Loureiro, presidente do Serasa Experian.

 

Empresariado é, historicamente, mais pessimista

 

O pessimismo do setor varejista, que já vê um "esgotamento" do modelo de consumo, não passa perto da realidade dessa população. "O varejo tem feito investimentos importantes. É natural que nesse momento de incerteza estejam mais inseguros", diz Loureiro.

 

O mesmo temor, no entanto, não passa nem perto da população, a avaliação de Meireles, do Data Popular. "Desde que o mundo é mundo o empresariado é mais pesimista que a população, e muito mais pessimista que o brasileiro", afirma. "Esse sentimento de economia ruim não chega no público final. O fato é que hoje eles fazem mais pesquisa de preço que no passado e exigem melhores preços e qualidade no varejo."

 

Embora não sintam o pessimismo, Meireles diz que são sensíveis à corrosão do poder de compra com o aumento dos preços. "Hoje o desafio é melhorar a qualidade da oferta para que a inflação não precise ser combatida com juros altos", comenta. "O que não pode é uma política econômica esquisofrência com altas de juros para conter a inflação e desonerações para estimular o consumo. "

 

A pesquisa identificou quatro perfis de consumidores dentro da classe média. O maior grupo é dos Batalhadores, que representam 39% dos novos ricos. Com uma média de idade de 40 anos, a maior parte (72%) é de solteiros e 49% tem emprego fixo.

 

Esses vêem no emprego a matriz da realização de seus desejos e na educação um mecanismo de ascensão social. "Só fazem parte de um grupo em ascensão graças à carteira assinada", explica Meirelles. Eles somaram R$ 388,9 bilhões em consumo no ano passado, com larga utilização do crédito – os financiamentos foram usados para compra do carro e reforma a casa. Para 53% deles, só é pobre quem não se esforça para trabalhar.

 

O segundo maior grupo são os Experientes, que representam 26% da classe e têm, em média, 65 anos. Estes lutam contra o preconceito e contra a sensação de depressão no pós-aposentadoria. "Essa turma é que teve um passado real de analfabetismo", explica Meireles. "Destes, 65% realmente passou fome." Neste ano, deverão consumir praticamente o mesmo que os Batalhadores, à exceção da casa própria e do carro.

 

Os Empreendedores valorizam a liberdade de escolha e atualmente e formam um grupo mais escolarizado que a média, já com ensino superior. Eles sõ os que menos usam o crédito – preferem fazer compras à vista. Quase metade deles – 43% do total – têm carteira assinada e escolheram carreiras que sejam associadas ao seu gosto pela atividade. Estão em busca da realização dos sonhos de vida e neste ano deverão buscar, notebooks, tablets e, também, o carro novo."Esses são os mais propensos a sair da classe média e subir para as lasses mais altas", explica Meireles. Também estão propensos a fazer mais viagens internacionais – sempre em grupo e com agência, tendo em vista que ainda não falam um idioma além do português.

 

Por fim, o menor grupo é dos Promissores que, com uma média de 22 anos, são solteiros e já se descontrolam financeiramente. É o grupo mais conectado e utilizam a Internet para se informar – o número de respondentes que utilizam a internet como meio de informação é superior aos espectadores de televisão aberta e à cabo. "Esses meios de comunicação unidirecionais, onde não há interatividade, não interessa a eles", diz. Para este ano, pretendem gastar com academia, faculdade, cursos profissionalizantes, notebooks, smartphones, o carro e a motocicleta.

Ig