Por pbagora.com.br

O Brasil usará US$ 10 bilhões de suas reservas para emprestar ao Fundo Monetário Internacional (FMI), dentro do esforço global de recuperação das economias anunciado na véspera pela cúpula do G-20, em Londres, revela reportagem do Globo, publicada neste sábado. O montante representa 5% do total das reservas brasileiras, hoje em US$ 202 bilhões.

O volume equivale a duas vezes a atual participação do Brasil no Fundo. Isso porque as cotas que pertencem ao governo brasileiro no FMI equivalem hoje a US$ 4,5 bilhões. No entanto, o aumento efetivo da cota – que reflete o poder de voz e veto na instituição – só será definido em janeiro de 2011, em assembleia de todas as nações-membro. O empréstimo indicaria as pretensões do governo brasileiro nesta negociação.

A história do Brasil e FMI foi marcada por rompimentos e moratórias. A última vez em que o país sacou recursos do FMI foi em 2002, num momento de turbulência pré-eleitoral, quando o banco de investimento Goldman Sachs chegou a criar o "lulômetro". O total emprestado pelo Brasil é, proporcionalmente, maior que o da China, que vai desembolsar US$ 40 bilhões, ou 2% das reservas. A União Europeia cederá US$ 100 bilhões.

De acordo com os técnicos, as reservas são compostas por dólares, títulos do Tesouro americano e por Direitos Especiais de Saque (DES) – papéis que representam a participação do Brasil no Fundo. Um dólar equivale a 0,666621 em DES. O que pode acontecer, por exemplo, é o Brasil fazer uma troca de dólares por DES com o FMI, aumentando a sua participação na instituição.

A forma como o Brasil vai contribuir no bolo internacional de U$ 1,1 trilhão – dos quais US$ 250 bilhões irão para um fundo que financiará o comércio mundial e US$ 750 bilhões para empréstimos do FMI, além de US$ 100 bilhões para organismos multilaterais – ainda será discutida pela equipe econômica. Porém, de acordo com uma fonte, o reforço de caixa daria mais peso ao governo Lula nos foros internacionais. Na quinta-feira, Lula disse que é "chique emprestar ao FMI".

 

 

O Globo

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