Por pbagora.com.br

O último filme de Heath Ledger – “The imaginarium of Doctor Parnassus”, dirigido por Terry Gilliam – com uma interpretação que trata entre outros temas da imortalidade, estreou nesta sexta-feira (22) no Festival de Cannes.

 

O ator australiano, que morreu em janeiro de 2008, teve que ser substituído durante a filmagem por três “dublês” de luxo: Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, dos quais Gilliam destacou sua “coragem e generosidade” por se atreverem a representar o personagem de Ledger.

 

Exibido fora da competição no Festival de Cannes, o filme conta a história do Doutor Parnassus (papel interpretado por Christopher Plummer) e seu mundo imaginário, vivido nas ruas de uma Londres contemporânea em forma de teatro ambulante ele mesmo e outros três atores.

 

O contador de histórias que é Parnassus oferece a possibilidade de entrar em seu mundo imaginário através de um espelho, uma habilidade que obtém mediante um pacto com o diabo (encarnado por Tom Waits, em uma brilhante e irônica interpretação do mal) que o tornou imortal, embora a um alto preço.

 

Ao grupo se incorpora um farsante (Tony, o papel de Ledger-Depp-Law-Farrell) que ajuda Parnassus a cumprir os termos de um fatal pacto diabólico para evitar o desaparecimento de sua filha (Valentina interpretada por Lily Cole).

 

O filme faz referências ao ex-primeiro ministro britânico Tony Blaire e à morte do “banqueiro de Deus”, Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano e que apareceu enforcado, após ser condenado por crimes financeiros, esclareceu Gilliam.

 

Referências político-criminais à parte, a imprensa internacional mostrou mais interesse em saber como o diretor lidou com a falta de Ledger. “Todos trabalharam muito e durante mais tempo porque gostavam dele”, disse Gilliam, revelando que a família do ator falecido, que o encorajou a continuar o projeto, ainda não viu o trabalho póstumo do ator, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por “Batman – O cavaleiro das trevas” semanas depois morrer.

 

A mutação de Ledger em Depp, depois em Law e finalmente em Farrell funciona magicamente como consequência do uso do elemento espelho que é decisivo na ação e não pela contribuição de uma manipulação com técnicas digitais, o que dá continuidade à história.

 

As explicações dos produtores não foram além de classificar o filme como um “conto moral fantástico” que trata essencialmente da tentação que o ser humano tem de não resistir perante a possibilidade de tornar sua vida mais “alegre”.

 

 

 

G1

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