Pioneiro em Campina Grande na formação de plateias da sétima arte e, consequentemente, vitrine para colocar produções audiovisuais no grande circuito nacional, o Festival Audiovisual Comunicutras UEPB, chegou a sua 12ª edição deixando boas impressões para cineastas, atores, produtores e jornalistas. Oficialmente aberto na noite desta terça-feira (28), no Cine São José, diante de um grande público, o festival prestou homenagens e promoveu a exibição dos primeiros filmes que concorrem nas mostras competitivas. Este ano, mais de 70 produções estão concorrendo às “cobiçadas” estatuetas em diversas categorias.

Alguns dos personagens que vivem o universo mágico do cinema e das artes destacaram a relevância e a força do Comunicutras UEPB na difusão da cultura, no incentivo ao surgimento de novas produções e, principalmente, no destque que o festival dá aos trabalhos audiovisuais, projetando os filmes no concorrido circuito da sétima arte, impulsionando sua divulgação nas salas de exibições do país.

Homenageados dessa edição, a família Lira reconheceu a importância do Comunicurtas como espaço privilegiado para os novos e veteranos cineastas. Nascidos em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, e trabalhando com cinema e teatro, desde os anos 70, os irmãos Buda, Nanego, Bertrand e Soia Lira afirmaram que o festival é um dos motores que tem impulsionado o cinema na Paraíba e incentivado novos talentos.

Antes de subir no palco do Comunicurtas para receber o troféu como um dos homenageados, o ator José do Nascimento Lira Neto, mais conhecido como Nanego Lira, ressaltou que um dos diferenciais do evento é unir em um mesmo espaço de tempo, o cinema, a cultura e a educação. Para ele, ser homenageado juntamente com os seus irmãos é um momento ímpar e inesquecível. “Primeiramente, é muito bom ser homenageado ainda vivo. E junto com os meus irmãos é ainda mais emocionante”, disse.

O ator e produtor cultural Buda Lira, que entre outras produções integrou o elenco do filme “Aquários”, do diretor Kléber Mendonça Filho, disse que estava muito honrado e agradecido em receber uma homenagem de um festival do porte do Comunicurtas. Ele destacou o cunho educativo do festival. “Receber uma homenagem aqui em Campina Grande, nesse festival que tem uma história, é muito emocionante. Estamos lisonjeados. Esse festival não só forma novas plateias, mas é um espaço pedagógico e de educação. É impressionante a quantidade de alunos envolvidos nele”, frisou.

Expressando seu amor pelas artes cênicas, o cineasta Bertrand Lira disse que o Comunicuras é, hoje, um dos mais importantes festivais do país. Premiado em diversos festivais e um dos criadores do Grupo Piollin, o diretor participou de todas as edições do evento. “Temos quatro longa-metragens sendo filmados na Paraíba, além de vários curtas. E o Festival Comunicurtas é o espaço ideal para veicular essas produções”, destacou.

Uma das homenagens da 12ª edição do Comunicutras UEPB foi prestada ao ator, comediante, cartunista, chargista e caricaturista Francisco Josenilton Veloso, o Shaolin. O troféu foi recebido pela viúva do humorista, Laudiceia Veloso. Emocionada, ela expressou sua alegria de receber, em nome de Shaolin, uma homenagem de um festival da dimensão do Comunicurtas. Ela revelou que estava impressionada com a estrutura do festival. “É difícil receber uma homenagem que deveria ser entrega a ele. É uma honra muito grande. Certamente, ele estaria aqui. Pessoas muito queridas falaram dessa homenagem e da importância desse festival. Eu tenho certeza que, respeitando a crença de cada um, onde ele estiver, estará feliz”, disse.

Laudiceia ressaltou que o Comunicurtas retrata bem o universo de Shaolin. Ela também destacou o momento vivido por seu filho, o ator Lucas Veloso, que tem dado continuidade ao trabalho do humorista paraibano. Lembrou que Lucas acompanhou o pai no teatro e, inevitavelmente, entrou para o mundo das artes. “Temos uma cultura muito rica, grandes profissionais, seja na arte, no teatro, na música e no cinema. A Paraíba tem muito valor”, destacou.

Atores, produtores e diretores

Presente na solenidade de abertura do Comunicurtas, o ator Silvero Pereira, que interpretou o personagem Nonato, na novela A Força do Querer, da Rede Globo, também ficou vislumbrado com a estrutura e o formato do festival. Primeira vez no evento, Silvero disse que levará boas impressões do festival e da hospitalidade do povo campinense. Para ele, iniciativas como o Comunicurtas são fundamentais para enaltecer a cultura e trazer novas pessoas para viverem o sonho da sétima arte. “Eu sou um exemplo claro de alguém que é do interior e na qual a arte fez uma transformação muito grande na vida. Se eu não tivesse virado artista, a vida seria muito diferente. A arte me transformou mais humano. Por isso é importante um festival como esse”, destacou Silvero.

O produtor Alexandre Taquay, que produz um festival de cinema em Taquaritinga do Norte e que pela segunda vez é jurado do Comunicurtas, disse que estava surpreso com a estrutura do festival este ano. Eledisse que o Comunicurtas é uma janela importante aberta na Paraíba para projetar os cineastas para o Brasil. “Nada melhor do que voltar à Campina Grande para assistir uma curadoria tão especial, tão rica e diversa como é o Comunicurtas. Vou ter a oportunidade de assistir bons filmes ao longo do festival”, enfatizou.

Hipólito Lucena, coordenador geral do evento, destacou o caráter pioneiro do festival e disse que mesmo em meio as dificuldades o Comunicurtas continua forte e atraindo cineastas de vários estados do país. Ele lembrou que o evento é referência para outros festivais e tem forte cunho pedagógico. Prova disso é que mais de 100 estudantes estão envolvidos na edição deste ano. “Aqui em Campina Grande, nesse formato, unindo cinema, publicidade e telejornalismo, o Comunicurtas é o pioneiro”, salientou.

As produtoras Cristianne Cristina Oliveira e os cineastas Marcelo IKeda e Fábio Rogério, que concorrem na Mostra Brasil, também destacaram a vitalidade do festival como vitrine para os amantes da sétima arte. “Esse evento é muito importante. A nossa equipe está muito orgulhosa e feliz de poder estar aqui nessa cidade linda. Estamos na expectativa”, afirmou Cristianne.

Realizado desde 2006, através da Universidade Estadual da Paraíba, o Comunicurtas tem como prioridade oferecer aos profissionais envolvidos nas práticas audiovisuais, como cinema, publicidade e telejornalismo, a abertura necessária para a divulgação de suas produções criativas. Com vasta programação que inclui mostras competitivas e não competitivas, exposições, mesas redondas, debates, palestras, workshop e oficinas, o festival tem entrada franca em todas as suas atividades e prossegue até sábado (2), quando será feita a premiação dos melhores trabalhos.

Estímulo para a próxima edição

A consolidação do Festival Audiovisual de Campina Grande – Comunicurtas UEPB se confirma ano após ano com o crescimento de filmes inscritos, consolidação de parcerias institucionais e, sobretudo, com o aumento da participação do público espectador. A capacidade de oferecer oportunidade de veiculação a produções regionais e a chance de exibição em outras praças de filmes de fora do Estado tem confirmado a missão da iniciativa, que é colaborar para que o cinema nacional se renove constantemente e se torne ainda mais forte.

Para superar a dificuldade financeira que a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vivencia, não diferente da que todo o Brasil enfrenta, foi preciso usar da criatividade para, além de manter a realização desta edição, ainda incrementá-la e oferecer ao público um evento de qualidade. De acordo com o coordenador geral do Comunicurtas UEPB, jornalista Hipólito Lucena, a manutenção de todas as mostras já tradicionais do festival e a inserção da Mostra de Longa-Metragem foram a saída perfeita para aumentar a qualidade do evento e ampliar o número de parceiros este ano.

“Apesar dos momentos de dificuldades que estamos passando, sem abertura de editais na Paraíba e da crise financeira nacional, buscamos inovar. Quando a crise se aguda, nós ampliamos os desafios e não baixamos a cabeça. Inovamos com a adição da Mostra de Longa-Metragem para tornar ainda mais forte esse festival, que é referência para muitos em todo o Brasil. Queremos agradecer a todos os nossos parceiros e valorizar a participação de mais de 120 estudantes que estão trabalhando para que tudo isso aconteça. O que temos de mais rico são nossas histórias, por isso estamos no caminho certo”, afirmou Hipólito.

O reitor da UEPB, professor Rangel Junior, também destacou o crescimento que o Festival Audiovisual – Comunicurtas UEPB teve ao longo dos anos, relembrou as edições que a Universidade atuou sozinha como mantenedora da iniciativa, mas destacou o trabalho em conjunto feito com outras instituições para poder levar ainda mais longe o evento. Ele ainda adiantou que a próxima edição deverá contar com um edital mais amplo para que haja uma captação de recursos que, além de viabilizar a realização do festival, possibilite a divulgação dos trabalhos e estimule a produção audiovisual paraibana.

“O desafio de fazer circular a produção é ainda maior, para que possamos chegar nos mais diversos lugares, formar público para que pessoas tenham lazer cultural e entretenimento. Ano que vem teremos boas novidades sobre a possibilidade de divulgação do trabalho realizado, não só o que seja selecionado para o Comunicurtas UEPB, mas também algo que vá mais longe, além de um estímulo da produção. Teremos um recurso especial que entrará na Universidade, através de captação própria de serviços prestados, e vamos conseguir um edital que certamente será mais uma forma de produção e um meio de trazer outras novidades para a edição do ano que vem”, projetou o reitor.

Redação com assessoria

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