A Paraíba o tempo todo  |

ALTO NÍVEL: Fest Aruanda começa hoje com mostra de longas e premiação de curtas

Quando o Fest Aruanda deu seus primeiros passos, há sete anos, ele ostentava o subtítulo “Festival do Audiovisual Universitário Brasileiro”. Bem distante do porte que tem hoje. Há uma mostra de longas que traz praticamente só filme que ainda não estraram em cartaz nos cinemas e, pela primeira vez, eles serão premiados – por um júri da crítica, formado por membros da recém-formada Associação Brasileira dos Críticos Cinematográficos (Abraccine) e convidados. O filme que abre o festival, hoje, às 20h30, na Sala Sérgio Bernardes do Hotel Tambaú, é Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios (2011), de Beto Brant e Renato Ciasca.

O filme é estrelado por Camila Pitanga e não só ela e Brant estarão na abertura, mas também o pai de Camila, o ator Antonio Pitanga, que será homenageado pelo festival . O Aruanda ainda vai exibir os longas Marighella (sab., 21h); Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat (dom., 20h30), vencedor do Festival de Gramado; Teus Olhos Meus (seg., 20h45); Malditos Cartunistas (ter., 20h45); Raul – O Início, o Fim e o Meio (qua., 21h), doc do paraibano Walter Carvalho, sobre Raul Seixas.

O único longa programado que já passou nos cinemas é Rock Brasília (sab. e dom., 15h30), mas a exibição é plenamente justificada: o documentário sobre as bandas brasilienses foi dirigido pelo paraibano Vladimir Carvalho, que apresenta o filme na sessão de domingo.

Mas o ineditismo – que o Festival de Brasília acabou abolindo este ano, causando uma grande polêmica – não será uma obrigação para os futuros Fest Aruanda. “A gente também não vai ser rigoroso e estabelecer isso como uma regra”, afirma Vilar. “A data nos favorece. Se não todos, há uma boa margem de inéditos esperando para entrar em cartaz no começo do ano seguinte”.

A primeira vez que longas fizeram parte da programação do Fest Aruanda foi na edição de 2009, com Lula, o Filho do Brasil na abertura. Exibido em película, não deixou de ser uma retomada do antigo Cine Tambaú, que funcionava no mesmo local, nos anos 1980. “Em 2009, o Aruanda era um e passou a ser outro”, disse Lúcio Vilar. “Poucas cidades conseguiram aquela exibição”.

Já foi um grande salto com relação ao que o festival era em seu começo. A gênese, na verdade, veio ainda antes do Fest Aruanda, com o Prêmio Rodrigo Rocha – que continua sendo o nome da premiação para curtas paraibanos. No terceiro festival, em 2007, abriu-se uma competição para curtas independentes, expandindo o festival para fora das universidades.

A ideia inicial com relação aos longas, para este ano, era ter uma premiação pelo júri oficial. Mas a coordenação resolveu adiar os planos e fazer apenas a premiação da crítica nesta edição. O júri oficial continua a premiar os melhores curtas. São 55 filmes, entre ficções, documentários, animações, experimentais, videoclipes e vídeos do minuto.

O melhor curta recebe R$ 3 mil, mesmo valor do melhor curta paraibano. O prêmio BNB concede R$ 2,5 mil para o melhor curta de temática nordestina. A mostra de curtas digitais acontece de sábado a terça, às 17h. Outros têm exibição especial: Calma, Monga, Calma (sab., 20h30); Olhar de Zezita (seg., 20h); e uma sessão do coletivo Filmes a Granel (ter., 20h15).

A relação com a universidade permanece através da mostra de TV universitária. Além disso, o festival sedia a 12ª edição do Fórum Brasileiro de Televisão Universitária. Os debates já estão acontecendo desde a quarta-feira e terminam hoje.

Além de Antônio Pitanga (hoje, 20h30), Luiz Carlos Vasconcelos (qua. 20h30) e Bete Mendes (sab., 20h) recebem troféus pelo conjunto da obra. E Lúcia Murat recebe o Troféu Elizabeth Teixeira de contribuição feminina ao audiovisual brasileiro (dom., 20h).

E o Aruanda continua também com seus seminários e oficinas. Os seminários são “Cinema de não-ficção – Um gênero em permanente reinvenção”, com Lúcia Murat, Isa Grispum e Vladimir Carvalho; “Cinema Paraibano – Balanço, perspectivas e projeções para 2012”, com a participação de Chico César, secretário de cultura do Estado; “Memorial do cinema paraibano”; e “Do Auto da Compadecida ao Cordel Encantado – A cultura popular na teledramaturgia brasileira”. E as oficinas são de de captação de som direto para documentários, uma de conceitos fundamentais de computação gráfica em 3D e outra de preservação audiovisual.

A programação do festival também inclui lançamentos: o livro Luzes do Sertão, Luzes da Cidade, de José Marinho (sab., 19h30) e o blog do crítico paraibano João Batista de Brito, que finalmente terá sua produção disponível em escala maior na internet.

Começando a se firmar na seara dos longas-metragens, o Aruanda começa a apresentar uma cara própria na curadoria – assim como o Festival de Brasília tem a fama de ser mais político, e o de Gramado de buscar o glamour. “A gente continua com um pé no documentário”, afirma Lúcio Vilar. “Isso já vem no nome do festival”. Aruanda, claro, é uma referência ao mítico documentário de Linduarte Noronha, de 1960. “Mas esse ano a gente tenta também dialogar um pouco mais com o público”, continua Vilar. “A gente tentou trazer filmes que fossem de qualidade, mas que também dialoguem com o público. Pelo menos acreditamos nisso”.

Preferido do Cinema Novo

ANTÔNIO VICENTE FILHO

“Tenho muitas recordações da Paraíba. Me lembro do Sávio Rolim, quando trabalhei no filme Menino de Engenho”, disse o ator Antônio Pitanga, que estava em Buenos Aires quando conversou por telefone com o CORREIO. Ele disse que é uma grande honra retornar à capital paraibana para participar do Fest Aruanda.

Do cinema paraibano, ele declara que conhece também os cineastas Linduarte Noronha, e os irmãos Vladimir e Walter Carvalho.

Com a patente de um dos atores preferidos do Cinema Novo, Pitanga falou que é preciso surgir um novo Glauber Rocha. “Ele tinha uma visão e identificação do cinema brasileiro. Ele tinha a iniciativa e liberdade de criar seu trabalho”, disse.

Traçando um perfil do atual quadro do cinema nacional, Antonio Pitanga acha que a Embrafilme (fechada no governo Collor, quando tinha o paraibano Ipojuca Pontes à frente da Secretaria Nacional de Cultura) faz falta para o cinema brasileiro. “É preciso que o governo tenha consciência que é necessário investir na cultura em geral. E o cinema é um instrumento de cultura muito forte”.

Mesmo assim, Antonio Pitanga acha que o Brasil vem realizando o melhor cinema do mundo. “Mesmo com a falta de recursos, nós temos o melhor cinema do mundo. Temos bons diretores e atores, com isso não falta nada para fazer uma boa arte”, declara.

Para ele, a concentração das salas dos cinemas nos shoppings, fechando os cinemas dos bairros, é resultado da falta de segurança da a população. “Isso não acontece só Brasil, é uma mudança que vem ocorrendo em várias partes do mundo”.

Quando o assunto é sobre novos trabalhos no cinema, Antonio Pitanga não pensa um segundo e diz qual seria seu sonho: “Eu gostaria de fazer o papel de Castro Alves, no cinema. Ele é um dos meus grandes ídolos. Gostaria de fazer também o papel do poeta Gregório de Matos”.

Sobre os filhos atores Camila e Rocco Pitanga, o pai diz simplesmente: “Eles estão na minha frente”. Com relação ao seu traje habitual – sempre de branco, chapéu à Moreira da Silva -, Pitanga lembra: “Sou nordestino (ele nasceu na Bahia), e o nordestino gosta muito de usar um chapéu”.

 

Jornal Correio

PUBLICIDADE
    VEJA TAMBÉM

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.

      Utilizamos ferramentas e serviços de terceiros que utilizam cookies. Essas ferramentas nos ajudam a oferecer uma melhor experiência de navegação no site. Ao clicar no botão “PROSSEGUIR”, ou continuar a visualizar nosso site, você concorda com o uso de cookies em nosso site.
      Total
      0
      Compartilhe