Por pbagora.com.br

A babá flagrada por uma câmera agredindo um bebê de sete meses, em Cruz de Rebouças, Igarassu, município da Região Metropolitana do Recife, prestou depoimento nesta segunda-feira (26) na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). De acordo com a delegada Mariana Vilas Boas, responsável pelo inquérito, a suspeita conhecida como Ângela Cristina, 38 anos, negou as acusações e informou que as cenas mostravam brincadeiras e que costumava tocar a criança daquele jeito.

A suspeita não vai ser detida, por enquanto, porque não houve flagrante. A babá ainda disse, em depoimento, que não tinha nenhuma intenção de machucar a criança.

A ouvida durou cerca de duas horas e meia. A babá chegou acompanhada de dois advogados, a sogra e a cunhada e teria entrado pelos fundos da delegacia para não ser filmada pela imprensa. A sogra foi a primeira a ser ouvida pela polícia, e se disse surpresa com as acusações. Segundo a delegada Mariana Villas Boas, a mulher teria dito que a nora é uma pessoa muito carinhosa e sempre cuidou de criança, já tendo, inclusive, cuidado de um casal de gêmeos durante 15 anos. “Ainda vamos fazer ouvida de outras testemunhas, como vizinhos, que possivelmente presenciaram choro de criança”, declarou a delegada. [Assista à filmagem feita pelos pais]

 

Nesta quarta-feira (28), a Polícia vai ouvir os vizinhos do casal e também na sexta-feira (30), a cunhada e o esposo da babá.

O CASO – O fato aconteceu na residência do casal, em Cruz de Rebouças, Igarassu, município da Região Metropolitana do Recife. A empregada também reside na cidade. No sábado (24), os pais do bebê estiveram no plantão da GPCA, mas apenas um boletim de ocorrência foi registrado. No domingo, o delegado Zanelli Alencar ouviu o depoimento dos pais.

“As imagens convencem. Houve abuso sexual, quando ela manipula o órgão genital do bebê, e tortura, quando ela bate e pega a criança com violência. Infelizmente, não soubemos do caso a tempo de fazer a prisão em flagrante, o que seria ideal. Agora, temos que instaurar o inquérito e reunir mais provas e depoimentos para apresentar à Justiça”, explicou.

As imagens foram gravadas na última quinta-feira, dia 22. Os pais da criança ficaram desesperados ao ver as cenas e levaram um dia para decidir procurar a polícia. Por esse motivo, o prazo para a prisão em flagrante, que seria de 24 horas, expirou. Ainda no sábado, o bebê passou por um exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).

Os registros da violência aconteceram numa única tarde. Na primeira cena, a babá aparece jogando água no rosto da criança por duas vezes. Nem o fato de o pai estar em casa, num dos quartos, intimidou a mulher. Em outro momento, já sozinha com o bebê, ela dá um tapa na mão e outro na perna do menino. Uma das cenas mais fortes é quando a empregada aparece segurando o bebê pelo pescoço, enquanto ajeita o ventilador da sala. Em seguida, arremessa a criança sobre o sofá, que, por pouco, não cai no chão.

O que mais indignou a família, entretanto, foram os flagrantes da babá manipulando o órgão sexual do menino. “Ela abre a fralda e fica pegando no pênis dele. Pelas imagens, a gente vê os movimentos que faz com as mãos. Isso me revoltou demais. Ficamos tão assustados que precisamos de um tempo para pensar e decidir o que fazer. Infelizmente, o período do flagrante passou”, disse a mãe do bebê. “Minha vontade foi espancá-la, mas depois percebi que não era o certo”, acrescentou o pai.

Na mesma noite em que viu as imagens, o casal chamou alguns parentes da empregada e mostrou as cenas. Eles imploraram para que o caso não fosse denunciado à polícia. “Quero vê-la presa, mas se não for possível, que fique com ficha na polícia para não arrumar emprego em outros lugares”, disse a mãe. A babá trabalhava na residência desde 1º de março, onde permaneceu até o dia 22. Os pais da criança desconfiaram da doméstica porque uma vizinha comentou que o bebê estava chorando muito e a mãe percebeu um ferimento no pênis do menino.
 

JC Online