Por pbagora.com.br

O corpo do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade foi velado na manhã de hoje (13) no Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária. No local, ele recebeu as últimas homenagens de parentes, amigos e profissionais da imprensa e do diretor da emissora para a qual trabalhava, antes de ser cremado, em cerimônia reservada à família.

Dezenas de jornalistas compareceram ao velório para noticiar o fato ou se despedir. Muitos usavam uma camisa com os dizeres “Poderia ter sido qualquer um de nós”. O repórter cinematográfico morreu esta semana depois de ser atingido por um rojão disparado durante a cobertura, no último dia 6, de uma manifestação no centro do Rio pelo aumento das passagens de ônibus, que passaram de R$ 2,75 para R$ 3.

A viúva do cinegrafista, Arlita Andrade, lembrou que Santiago amava a profissão. “O sonho dele era ser repórter cinematográfico e ele ficava muito preocupado com a violência. Ele dizia: realmente está muito violento”, declarou, emocionada, antes de fazer um apelo. “Queria pedir para todos: sejam mais amigos, mais tranquilos e tenham mais amor uns pelos outros.”

A repórter da TV Bandeirante Camila Grecco, que participou de várias coberturas jornalísticas ao lado de Santiago, contou que ele sempre se preocupava com a equipe e com a própria segurança. “Se ele soubesse que estava em situação de muito risco, jamais estaria lá”, disse.

Companheiro de trabalho de Santiago por 11 anos, o cinegrafista Sérgio Colonezi também contou que Santiago era cauteloso. “As pessoas dizem que, nós, cinegrafistas, abusamos um pouco do perigo. O Santiago era o contrário, era cauteloso. Quando chegava em local e tinha um tiroteio ou confusão, ele ficava longe, falava ‘não estou aqui para tomar pancada de ninguém’”.