Por Wellington Farias
Foto: Evandro Teixeira

O golpe militar que culminou com a ditadura que se abateu sobre o Brasil há 57 anos, na verdade não aconteceu em 31 de março de 1964, mas no dia 1º de abril daquele ano.

Os seus signatários, porém, comemoram (onde já se viu comemorar coisa tão horrorosa!) no dia 31, porque 1º de abril é o Dia da Mentira.

Na verdade, o caldeirão começou a ferver na madrugada de 31 de março, quando tropas do Exercito amparadas por tanques de guerra marcharam com destino a Brasília, a fim de derrubar o então presidente da República, João Goulart.

Durante todo o dia 31 de março, Goulart manteve-se presidente do Brasil. Portanto, o golpe não poderia ter acontecido sem que o seu objetivo fosse consolidado, ou seja, a derrubada do chefe da nação.

Pouco importa
A data em que se iniciou aquele período tenebroso da história do Brasil, que durou 21 anos – de 1964 a 1985 – é o que menos importa.

A verdade é que sobre o Brasil e seu povo se abateu um dos períodos mais dramáticos e horrorosos da nossa história. Militares levaram o Brasil ao fundo do poço: inflação galopante, dívida externa estratosférica, cassações, expulsão do País de algumas de
suas melhores cabeças pensantes, e muita pancadaria, tortura e assassinatos.

Não faz muito tempo que foi divulgado um relatório da Cia em que está comprovado, documentalmente, que na gestão do então presidente Ernesto Geisel o alto escalão do Governo determinou o assassinato de opositores ao regime.

Durante a ditadura, o Estado – que tem o dever de promover a segurança e a integridade física dos cidadãos brasileiros – transformou-se num Estado criminoso.
O relatório da Cia e outros documentos, como relatórios da Comissão da Verdade, vêm comprovar que a tortura e o assassinato dos opositores passaram a ser uma política de Estado no Brasil.

Golpe
Historicamente, o Brasil vive períodos curtos de democracia, com constantes interrupções.

Vivemos, atualmente, o mais longo período de democracia de nossa história e, ao que parece, uma democracia (ou pelo menos o estado democrático de direito) consolidada. Certamente pela cultura de golpes a que o País foi submetido ao longo de sua história, àqueles chegados às ditaduras sempre se animal nos momentos de instabilidade política.

Como agora. Nos últimos três dias, não foram poucas as manifestações de pessoas plenamente convictas de que o presidente Bolsonaro está prestes a promover um auto golpe.

No Brasil tudo é possível, mas não é bom apostar fichas num autogolpe, mesmo porque Bolsonaro só despenca no apoio popular; é apontado como um dos principais responsáveis pelo extermínio de mais de 3 mil brasileiros por dia, vítimas de Covid-19.

Sem falar, que não tem apoio nas Forças Armadas para levar a cabo qualquer projeto antidemocrático ou que simplesmente afronte à Constituição Cidadá de 1988.

É provável, portanto, que essa galera fique a ver navios, esperando por um golpe que não acontecerá.

Quem viver, verá…

Por Wellington Farias

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