“Eu existo”! Nunca, em nenhum período da história, em todos os tempos e épocas, um vírus causou tanta revolução no mundo. O Covid-19, abalou com a estrutura do planeta, infectou milhares de pessoas e gerou uma onda de medo, apreensão e incertezas com o futuro. A terra literalmente “parou”, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS), declarou o novo coronavírus como uma pandemia, e as autoridades sanitárias, políticas e epidemiológicas passaram a adotar medidas de restrição para evitar a disseminação do vírus.

Em meio as restrições e as medidas de isolamento social, o mundo se aproxima de 3 milhões de infectados por Covid-19, e mais de 206 mil mortes em todo o mundo por complicações pelo Sars-Cov-2. No Brasil foram registradas 4.286 mortes provocadas pela Covid-19 e 63.100 casos confirmados da doença em todo o país .

Na Paraíba são 543 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgadas neste domingo (26). O número de mortes confirmadas por Covid-19 subiu para 50 no estado desde o início da pandemia.

Só que o vírus que mata, que causa medo, angústia e sofrimento, também ajudou para tirar milhões de brasileiros da invisibilidade do governo federal. Pessoas simples, sem renda fixa, muitas sem contas em banco, que passaram a ser enxergadas a partir da criação do auxílio emergencial de R$ 600. Muitos dos brasileiros que entraram na fila da Agência da Caixa Econômica para viabilizar o benefício, se emocionaram ao ver o dinheiro na conta.

Mais de 30 milhões de brasileiros já receberam a primeira parcela do auxílio emergencial que será pago durante três meses pelo governo federal. No entanto, mais de 46 milhões dessas pessoas não se enquadram nas regras e não estão em nenhuma lista do governo. Mesmo na era digital, das novas tecnologias muitos não têm nem acesso à internet para se regularizar. São desempregados, autônomos e trabalhadores informais que ficaram sem renda por causa da pandemia e dependem dessa ajuda por uma questão de sobrevivência. São pessoas invisíveis do Cadastro Único. Para muitas pessoas que não chegavam a receber R$ 300 reais por mês, como é o caso de alguns catadores de materiais recicláveis de Campina Grande, ver na conta R$ 600 e até R$ 1.200 no caso de país e mães que são chefes de família, parece “uma fortuna”.

A crise do coronavírus tirou renda e aprofundou a pobreza dessas pessoas que já tinham pouco e mesmo assim, nunca foram alcançadas pelos programas sociais. O vírus letal, fez jorrar luz a problemas que já existiam, como a baixa renda dos informais, e fez vir a tona, uma desigualdade histórica.

Entre os economistas, é quase um consenso que o benefício de R$ 600 para desempregados, autônomos e informais de baixa renda é fundamental para evitar o colapso de milhões de famílias, que ficaram sem rendimento durante o isolamento social. Mas fazer o recurso chegar a quem não fazia parte de programas como o Bolsa Família ou estava inscrita no Cadastro Único (um instrumento do governo que identifica as famílias de baixa renda), é um desafio.

Que diga o autônomo Francisco Gomes da Silva, morador de Vila Cabral de Santa Terezinha em Campina Grande. O benefício dele foi aprovado pela Caixa, mas há das semanas, ele luta para ver o dinheiro enfim, cair na conta digital. Francisquinho se enquadra entre os 11 milhões que não estavam no Cadastro Único do governo, mas tiveram direito ao benefício, aprovado por se enquadrarem no cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Como Francisquinho, milhares de brasileiros passaram a existir aos olhos do governo, a partir do Covid-19 e das medidas econômicas implementadas pelo governo para minimizar os efeitos de um vírus que além de infectar, deixou muitos brasileiros mais pobres e precisando de auxílio do governo para sobreviver.

Severino Lopes
PB Agora

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