Por pbagora.com.br
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a afirmar que recomenda o uso da cloroquina no Brasil para tratamento da COVID-19. Desta vez, ele respondeu a um grupo de franceses que se reuniu na frente do Palácio da Alvorada, no chamado “cercadinho”, em Brasília.
“No Brasil, tomando a cloroquina, no início dos sintomas, 100% de cura”, disse o presidente aos visitantes. “Eu sei que alguns cientistas franceses investiram na cloroquina lá atrás. Não sei como está a França no momento reagindo a essa pandemia, se usa cloroquina ou não”, acrescentou.
Um dos franceses respondeu: “Paris está no alerta vermelho”.
O vídeo da conversa foi publicado pelo jornalista Samuel Pancher em sua conta no Twitter.
O governo da França chegou a proibir oficialmente o uso da hidroxicloroquina para tratar a COVID-19 nos hospitais, depois que dois organismos responsáveis pela saúde pública no país se declararam contrários à utilização da substância.
No mês passado, o médico francês Didier Raoult, cuja defesa da hidroxicloroquina para tratar a COVID-19 o tornou mundialmente conhecido, foi denunciado pela Sociedade de Patologia Infecciosa de Língua Francesa (SPILF), que o acusa de uma promoção indevida do medicamento.
O medicamento não tem comprovação científica suficiente para comprovar sua eficácia no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Um grande estudo com quase 100 mil pacientes com COVID-19descartou que a cloroquina e a hidroxicloroquina são eficazes contra o novo coronavírus, enfatizando que os dois medicamentos aumentam o risco de morte.
A hidroxicloroquina é normalmente usada para tratar doenças como a artrite, enquanto a cloroquina é empregada no tratamento da malária.
Os autores do estudo, publicado na revista científica The Lancet, enfatizam que os dois medicamentos não tiveram efeito em pacientes hospitalizados com COVID-19.
Ao desautorizar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e afirmar, por meio de redes sociais, que o governo federal não tem intenção de comprar a vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uso de um argumento de cunho técnico para justificar sua posição.Bolsonaro disse que antes de ser disponibilizada à população, a vacina deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele acrescentou que não justifica “um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem” e “que o povo brasileiro não será cobaia”.

Desde o início da pandemia, porém, Bolsonaro negligenciou e hostilizou as argumentações e estudos científicos ao defender o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19, apesar da ausência de comprovação da eficácia dos medicamentos. As declarações desta quarta, alegando observação de regras da ciência para recusar a vacina chinesa, surpreenderam os especialistas e a comunidade científica.

“Fica a lição, eleger líderes que partidarizam ciência ambiental, do aquecimento global, de reprodução, evolução, etc. é pedir pra partidarizarem a ciência que cuida da sua saúde também. E jogarem sua saúde no lixo em favor da retórica”, manifestou o biólogo e pesquisador Atila Iamarino em postagem no Twitter.

Marcelo Gomes, pesquisador em saúde pública da Fiocruz, também comentou o contrassenso das posições de Bolsonaro. “Nessa briga política vacina AstraZeneca/Oxford/Fiocruz (“do Bolsonaro”) x vacina Sinovac/Butantã (“do Dória”), tem um vencedor e um derrotado claro: o vírus (v) e o povo Brasileiro (d). É brincar com as nossas vidas”, acusou o cientista nas redes sociais.

Estado de Minas

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