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Jornais estrangeiros destacam relação de protestos com ameaças à Justiça

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Jornais de outros países publicaram textos em que explicaram o contexto em que acontecem as manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro.

‘New York Times’, dos Estados Unidos

O “New York Times” publicou uma reportagem com o título “Protestos a favor de Bolsonaro podem ser um prelúdio a um golpe, dizem críticos”.

O texto afirma que o presidente brasileiro tem enfrentado uma queda nas taxas de aprovação, uma economia que cambaleia e investigações judiciais e, nesse contexto, convocou as manifestações desta terça-feira.

“Nos últimos dias, o presidente descreveu o momento como o ponto de ‘ou vai ou morre’ de seu movimento político, pedindo para que a considerável minoria de eleitores que o apoia vá às ruas”, publicou o jornal.

‘La Nación’ e ‘Clarín’, da Argentina

O jornal argentino “La Nación” também publicou uma reportagem sobre os protestos desta terça-feira no Brasil.

“Minutos depois de participar de uma cerimônia com ministros e legisladores no Palácio da Alvorada em que a bandeira brasileira foi içada, o presidente Jair Bolsonaro deu uma forte declaração sobre o Supremo Tribunal Federal”, publicou o jornal argentino. Eles, então, reproduziram uma mensagem de Bolsonaro que dizia que “Ou o chefe desse poder enquadra o seu, ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”, disse, em alusão à suprema corte.

O “Clarín” também destacou as falas de Bolsonaro conta a Justiça. “Nas últimas semanas, Bolsonaro intensificou as críticas contra os juízes Alexandre de Moraes e Roberto Barroso, ambos do Supremo Tribunal Federal, e repetiu a expressão de que não vai transgredir as ‘quatro linhas’ da Constituição”, diz o jornal.

The Guardian’, do Reino Unido

O “The Guardian” abriu o texto com os desentendimentos entre a polícia e apoiadores de Bolsonaro logo cedo em Brasília. O texto cita imagens de vídeo em que policiais jogam spray de pimenta nos manifestantes.

“Muitos cidadãos temem que haja violência quando os apoiadores de Bolsonaro forem às ruas para exaltar o líder, cujas taxas de aprovação caíram como resultado de escândalos de corrupção que envolvem seus aliados e familiares e a forma como ele gerenciou a pandemia de Covid-19, que matou mais de 580 mil pessoas [no Brasil]”, diz o texto.

El País’, da Espanha

O jornal espanhol afirma que o presidente Bolsonaro convocou seus apoiadores para uma “grande exibição de força nas ruas”.

“Com o patriotismo e a liberdade como bandeiras, o ultradireitista convocou seus apoiadores para tomar as ruas de Brasília e São Paulo. O objetivo final da mobilização é receber apoio popular para a campanha que ele mantém contra o poder judiciário e o ataque sistemático à divisão de poderes e tentar reverter as pesquisas, que refletem uma popularidade em queda em meio a uma crise econômica e uma grave seca”, afirma o texto.

‘Le Monde’, ‘Libération’ e ‘Les Echos’, da França

O jornal “Le Monde” publicou uma reportagem em que diz que o desfecho das manifestações é imprevisível. O diário informa que em Brasília, a Praça dos Três Poderes, onde estão localizados o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, será completamente isolada para evitar atos de vandalismo inspirados na invasão do Capitólio nos Estados Unidos em 6 de janeiro deste ano por apoiadores de Donald Trump, alguns dias antes da posse de Joe Biden.

O diário especializado em economia “Les Echos” diz que “Bolsonaro mobiliza a rua contra o poder judiciário”, ressaltando que “em quase 200 anos de independência, o Brasil nunca havia conhecido tal clima de confronto”. O Les Echos explica que, apesar da queda de popularidade, “Bolsonaro mantém o apoio de um núcleo duro de militantes preparados para a batalha”.

O “Libération” publicou reportagens em uma página dupla. O jornal mostra que Bolsonaro constituiu um exército próprio de militares em postos-chave no governo e empresas públicas. “No total, 6.157 militares ocupam postos da administração civil”, algo nunca visto num governo democrático”.

G1

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