A ideia de extinguir o horário de verão no Brasil – em estudo há pelo menos seis meses no Ministério de Minas e Energia – deve ser analisada nas próximas semanas pelo presidente Michel Temer, com base em notas técnicas que apontam “perda de efetividade” na mudança de horário. Relatórios do ministério divulgados nos últimos anos, no entanto, apontam um cenário diferente.

Em 2015, por exemplo, o Ministério de Minas e Energia divulgou que a adoção do horário de verão economizaria cerca de R$ 7 bilhões aos cofres públicos. A cifra se refere à economia direta de energia – principalmente a das usinas térmicas, mais caras – e aos investimentos na expansão da capacidade elétrica do país, que o governo teria de fazer no curto prazo, sem o horário de verão.

O Ministério de Minas e Energia ainda não divylgou informações  dos relatórios emitidos nos últimos anos. Até a noite de quinta (21), a pasta tinha enviado apenas a ata da última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que aponta a necessidade de “aprofundar os estudos” sobre a manutenção do horário de verão.

Também procurados, o Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirmaram que as informações serão prestadas apenas pelo ministério. A Casa Civil confirmou que “está avaliando a conveniência ou não do tema horário de verão”, mas também disse que o tema está com o ministério.

Se nada for anunciado nas próximas semanas, o horário de verão deve entrar em vigor no dia 15 de outubro, em dez estados e no Distrito Federal (veja mapa). Nessas regiões, o relógio deve ser adiantado em uma hora até o dia 18 de fevereiro de 2018.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia nos últimos anos, o Brasil economizou pelo menos R$ 1,4 bilhão desde 2010 por adotar o horário de verão. A metodologia do cálculo variou ao longo desse tempo, e o G1 aguardava os dados atualizados do ministério até a publicação desta reportagem.
Entre 2010 e 2014, o aproveitamento da luz do sol resultou em economia de R$ 835 milhões para os consumidores – média de R$ 208 milhões por “temporada”. Entre 2014 e 2015, a previsão era de poupar mais R$ 278 milhões – o resultado final, em reais, não foi divulgado pela pasta.

Entre 2015 e 2016, a economia foi de R$ 162 milhões, e no período seguinte, caiu para R$ 159,5 milhões. Por esses dados, de fato, é possível notar uma queda na economia. No entanto, especialistas indicam que esses números também foram influenciados pela crise econômica.

“Desde 2015, de fato, houve uma queda [de consumo e de economia] por causa da crise. Mas se o país voltar a crescer, o consumo também volta. A gente está muito longe ainda de convergir o consumo, de estabilizar essa curva. O país tem um consumo individual de eletricidade muito baixo”, afirma o presidente da consultoria Thymos, João Carlos Mello.

Durante todo esse tempo, as estimativas de economia em termos percentuais se mantiveram praticamente estáveis. A cada temporada, o horário de verão representa economia média de 0,5% no consumo de energia, chegando a 5% nos horários de pico. Essa energia poupada é suficiente para abastecer uma cidade como Brasília, com 2,8 milhões de habitantes, por até um mês.

G1

Total
0
Compartilhamentos
Deixe seu Comentário
Notícias relacionadas

Após polêmicas, Senado altera PL relatado por Wilson Santiago na Câmara

O Senado aprovou ontem (17) o dispositivo que regulamenta o uso do fundo eleitoral para financiamento de campanha dos candidatos a prefeito e vereador nas eleições municipais de 2020. O…

RC lamenta liberação de 63 novos agrotóxicos e critica ganância do governo Bolsonaro

O ex-governador e atual presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), Ricardo Coutinho (PSB), criticou o uso de agrotóxicos pelo Brasil. De acordo com Ricardo, o Ministério da Agricultura do governo…