Por pbagora.com.br

 Os cantores sertanejos Max e Mariano causaram polêmica ao lançar o primeiro clipe oficial da dupla, na terça-feira (7), com a música ‘Eu vou jogar na internet’. A letra conta a história de um homem que ameaça divulgar na web um vídeo íntimo da ex-namorada como vingança por ela fingir não conhecê-lo. Devido à repercussão negativa, a dupla tirou a gravação do ar horas depois, quando já tinha quase 50 mil visualizações.

 

O assessor de imprensa dos sertanejos, Rubens Reis, disse ao G1 que a dupla “jamais teve a intenção de fazer qualquer tipo de apologia” à chamada pornografia por vingança. “A intenção era levar um mensagem positiva, servir de alerta para a publicação de vídeos íntimos, mas a maioria das pessoas não entendeu assim”, lamentou.

No refrão da música, os cantores dizem que não temem a reação da garota. “Eu vou jogar na internet, nem que você me processe. Quero ver a sua cara, quando alguém te mostrar, quero ver você dizer que não me conhece”.

A canção ainda diz que a gravação foi feita sem o consentimento da ex-namorada. “Você mente que nem sente. Semana passada mesmo a gente ficou e sem que você percebesse eu gravei de nós dois um vídeo de amor”.

Milhares de internautas criticaram o vídeo, que foi publicado nas redes sociais de Max e Mariano. Um dos comentários dizia: “Não acredito que fizeram uma música assim. Vocês são nojentos. Apologia e exposição de mulheres, essa música é criminosa”.

De acordo com o assessor da dupla, eles “não imaginavam” que isso aconteceria. Tanto que “Eu vou jogar na internet” era a música de trabalho do segundo cd dos artistas, que também não contará mais com a canção.

 

Apologia ao crime

O advogado Rafael Fernandes Maciel, especialista em direito empresarial e digital, analisou a letra da música a pedido do G1 e disse que ela “tem péssimo gosto”, mas não vê elementos que caracterizem os crimes de apologia e incitação ao crime.

“Para isso seria preciso que os autores da canção elogiassem, louvassem, ou fizessem discurso de defesa de conduta, como por exemplo, se tivessem elogiando alguém que teria divulgado o vídeo íntimo da namorada na internet. De qualquer modo, é fato que a música tem um valor moral bastante questionável e, mesmo que criminalmente, não reste configurado o ilícito, ela não deixa de ser repugnante ao trazer, de modo insensível, uma prática que abala tantas mulheres hoje em dia”, destacou.

Segundo ele, no Brasil, os casos de vingança pornô não são considerados crimes específicos. “Há projetos de lei que tentam mudar esse cenário. Quando muito, a vítima consegue enquadrar o autor como crime contra a honra, embora frágil. Não há também crime por filmar sem consentimento”, ressaltou o advogado.

 

G1

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