O governo federal veiculou mais de dois milhões de anúncios em canais com “conteúdos inadequados”. É o que identificou a CPI das Fake News da Câmara dos Deputados.

Os conteúdos fora veiculados em sites, aplicativos de celular e canais no Youtube que trazem informações falsas, material pornográfico, e difundem jogos de azar e investimentos ilegais.

De acordo com o relatório, foi solicitado à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC), dados dos canais que exibiram anúncios do governo federal no período de 1º de janeiro a 10 de novembro do ano passado.

A Secom só teria apresentado parte dos dados, mesmo assim, os consultores afirmam que, “ainda que abrangendo período relativamente curto, os dados fornecidos pela Secom permitem construir um rico panorama acerca das impressões de peças publicitárias do governo federal em canais de internet”.

No período, 65.533 canais de internet receberam mais de 47 milhões de anúncios do Governo Federal. Esses canais foram divididos em três tipo:
  • 4.018 sites;
  • 13.704 aplicativos para celular;
  • 47.811 canais do YouTube.

Ainda de acordo com o relátório, “nesta análise, foi possível comprovar a existência de inserção de publicidade em sites de notícias falsas, incluindo diversos que já vêm sendo monitorados pela CPMI”.

Entre os canais que recebeu anúncios da Secom está o canal no Youtube “Terça Livre”, do blogueiro Allan dos Santos, alvo da operação da Polícia Federal deflagrada na semana passada no âmbito do “inquérito das fake news”.

O levantamento identificou que 4,37% dos anúncios (2.065.479) foram veiculados em canais com conteúdo classificado como inadequado.

Os consultores destacam haver também anúncios pagos do governo em “canais dedicados a promover a imagem do Presidente da República”.

Na conclusão do relatório, os consultores afirmam que o uso do programa Google Adsense pela Secom gerou váriás “incorreções na condução da política de publicidade oficial da Presidência da República”. Entre elas:

  • descontrole do alvo das ações publicitárias levando ao desperdício de recursos públicos;
  • emprego do dinheiro da publicidade oficial em canais com conteúdo inadequado;
  • graves problemas de falta de transparência na condução da política de comunicação do Governo Federal.

Os consultores citam também que, ao contrário de outras formas de publicidade, no modelo utilizado pela Secom, “há pouco controle sobre os reais fornecedores do espaço publicitário”.

Segundo o relartório, no sistema usado pela secretaria, todos os anúncios são identificados apenas com a rubrica “Google Adsense’, sem identificação dos veículos anunciantes”.

“Além disso, é muito difícil ou mesmo impossível identificar os proprietários da maior parte dos canais que recebem anúncios do Governo Federal por meio do Google Adsense, algo que põe em risco a avaliação do cumprimento dos requisitos legais necessários para que uma entidade se habilite como fornecedor de um produto ou um serviço ao Poder Público”, destaca o relatório.

PB Agora com G1

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