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Após caso Yoki, detetives negam ser destruidores de lares

 A gravação de imagens que mostram a suposta traição do executivo da Yoki Marcos Matsunaga e que teriam motivado a mulher dele, Elize Matsunaga, a assassiná-lo e esquartejá-lo, deram novo destaque para a atuação dos detetives particulares. A profissão é comumente associada a flagras de relações extraconjugais, mas detetives ouvidos pelo Terra refutam a fama de “destruidores de lares”. “A gente só coloca um ponto final naquilo que já estava destruído”, afirma Edilmar Lima, investigador com atuação em Brasília.

Para a investigadora Angélica Auriani, o detetive que gravou o encontro de Matsunaga com uma mulher que seria sua amante não pode ser responsabilizado pelas atitudes de Elize após receber o material. “Ele fez o seu trabalho, que é achar o flagrante”, defende.

Mais de 80% das pessoas que procuram um serviço de detetive particular fazem por problemas conjugais, segundo profissionais entrevistados pelo Terra. A maioria é mulheres que suspeitam de uma traição do marido. Em muitos casos, os investigadores encontram clientes emocionalmente alterados e, às vezes, precisam prestar até um suporte psicológico.

O preço para um serviço de investigação conjugal de uma semana, com dois detetives, gira em torno de R$ 3 mil. Em alguns casos, a equipe precisa ser maior, para infiltrar ambientes ou para a campana, como é chamada a perseguição discreta.


Profissão de risco

O medo de ser notado e a exposição a bandidos tornam essa uma profissão de adrenalina constante. Existe o temor, entre os detetives, de que o cliente se arrependa de contratá-los, entregue o profissional e o investigado planeje alguma vingança.

Por isso, a discrição é fundamental, pois quando ele é descoberto, o trabalho vai todo por água abaixo. Além da campana, existem outras formas de investigação, com a utilização de diversos equipamentos eletrônicos, como microcâmeras e GPS com escutas. Em casos de fraude em empresas ou indústrias, a técnica é infiltrar pessoas dentro da empresa, como se fossem funcionários.

Edilmar Lima, detetive com escritório em Brasília, conta que em um dos casos que trabalhou, o investigado foi para um motel com a amante, e o detetive utilizou um GPS veicular que trancou o fornecimento de gasolina do carro. “Nesse momento, a gente espera o ato acontecer para só depois acionar a cliente”, explica. “O detetive pode responder pelo crime se colocar traído e traidor frente a frente e acontecer uma tragédia”.

Já houve casos que a empresa de Edilmar se negou a prestar serviços. Situações em que o contratante chega embriagado ou enfurecido, planejando vingança. Para ele, a atuação do detetive contratado por Elize Matsunaga foi ética: “Ele não teve participação nenhuma no crime, fez um trabalho perfeito, com imagens boas e todas em via pública, o que é importante”, opina.

Para a detetive Angélica Auriani, de São Paulo, a atuação do profissional no caso de Matsunaga também foi ética. “Basicamente, o foco no caso conjugal é o flagrante. Ele agiu corretamente, foi lá e pegou o flagrante”, afirma ela. Angélica conta que não pega qualquer caso porque não quer “que acabe numa tragédia”. Ela explica que, antes de iniciar os trabalhos, faz uma prévia se a pessoa é agressiva, se anda armada. A profissional já recebeu inclusive pedidos para “fazer maldade”, conta.

Profissão sem regulamentação

Imortalizada nos livros de Sherlock Holmes, a profissão é vista, ao mesmo tempo, cercada de glamour e descrédito. Apesar do reconhecimento do Ministério do Trabalho, o detetive particular não tem sua atuação regulamentada. Os profissionais são regidos pela Lei Federal 3099/57, sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek. De acordo com a legislação, os escritórios de detetives devem fornecer à polícia todas as informações coletadas, sempre que forem solicitadas.

Os cursos de detetive têm caráter profissionalizante, sem reconhecimento pelo Ministério da Educação, com custos que variam entre R$ 300 e R$ 700. O candidato precisa ter 18 anos e ficha criminal limpa. Ao término do curso, o detetive recebe uma carteira de identificação que precisa ser apresentada junto com a identidade. Em cada Estado há uma regra específica, e o profissional deverá consultar a Secretaria de Segurança ou a Polícia Federal para saber é necessário algum cadastro.

A profissão não dá o direito de portar arma de fogo. Existem diversas entidades que se intitulam conselhos representativos da profissão. No entanto, o Ministério do Trabalho alerta que estes órgãos não são legítimos, tais como muitos cursos.

Equipamentos

Os detetives particulares usam e vendem equipamentos que não deixam a desejar aos utilizados pelo espião James Bond nos filmes do 007. A criatividade para as arapongas é ilimitada – há muito tempo que a lupa foi aposentada na profissão.

Câmeras escondidas: elas podem estar em um relógio despertador, em isqueiros, gravatas, bolsas, ou até mesmo num falso botão de camisa. Algumas filmam colorido, tiram fotos em boa resolução e gravam áudio.

Escuta Telefônica: ela transforma o telefone em um gravador com mais de 50 horas de gravação. Também pode gravar o som ambiente. Também existem as micro escutas, pequenos aparelhos que recebem discretamente ligações telefônicas e a gravam o áudio ambiente.

Rastreador GPS: funciona como um celular que envia a localização do portador para os números cadastrados. O tamanho do aparelho pode chegar a uma caixa de fósforos.

Programas espiões: são instalados em computadores e celulares. Eles monitoram a atividade da pessoa, gravam sites, e-mails e mensagens.

Terra

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