E disse Deus: ”Haja luz; e houve luz”. A passagem bíblica é tomada por minha pessoa apenas como figura literária e decorativa, para tentar “iluminar” o que está a ocorrer na Prefeitura Municipal de João Pessoa, em especial os “cochichos sigilosos” captados em áudio por um (a) “araponga”,  envolvendo os secretários municipais Adalberto Fulgêncio e Diego Tavares, respectivamente titulares da pasta da Saúde e Desenvolvimento Social.

 

Nessas conversas do “além”, existem dois momentos; o primeiro, datado de 11 de fevereiro e muito bem relatado em artigo escrito pelo cientista político  Flávio Lúcio, em seu blog pessoal.  Ressalta o acadêmico:

Há quase dois meses, a Paraíba se estarrece ouvindo gravações de obscuras conversas realizadas no interior de gabinetes da Prefeitura de João Pessoa.

A primeira gravação que veio a público foi em 11 de fevereiro e envolvia, como interlocutores, conhecidos figurões da administração municipal: o secretário de saúde, Adalberto Fulgêncio, e o secretário de desenvolvimento social, Diego Tavares. Na conversa, os dois combinavam como desviar recursos da saúde pública pessoense.

Apesar de não participar das primeiras gravações, o nome de Cartaxo é citado de uma maneira que não deixa dúvida de que ele não apenas sabia do esquema, como o havia autorizado.

Num primeiro áudio, Adalberto Fulgêncio diz que pretende “resolver” a situação sem envolver diretamente Luciano Cartaxo. Em seguida, Diego Tavares deixa claro a pedido de quem eles agem: “Mandou, eu faço o que ele manda!”

Adalberto então expõe como pode atua: “Eu posso chegar pro cara da Kairós e dizer: ‘Thiago, quero 600 conto, vou te pagar essa porra agora”. A Kairós é uma empresa que presta serviços de segurança à PMJP”.

Dando um ponto continuado nas considerações do professor Flávio Lúcio, ressalta-se a conversa divulgada para o público, no dia 28 de março, com exclusividade pelo PB Agora, no blog do talentoso colega Wellington Farias.

 

Nos diálogos, dignos de um curta-metragem de terceira linha, outra voz surge, pertencente nada menos ao timbre de voz acentuado e vacilante do prefeito Luciano Cartaxo. Em “confissões” devidamente “criptografadas” e decifradas, podem-se ouvir os "gritos da ética" em plena solicitação de socorro.

Em partes escuras, obtusas, embora decifráveis, é ouvido em alto e quase bom som, até por surdos que habitam o deserto de Mojave, o seguinte:

Luciano: …mas a gente tem que pagar a mais pra poder pegar R$ 1 milhão.

Adalberto: Ah, tá certo, o senhor está certo (….).

Luciano: Tem que ser um que dê pra pagar de R$ 300 a 400 mil.

Adalberto: Eu acho que até R$ 2 milhões dá pra pagar, assim na zero zero. De R$ 1 milhão vai tirar R$ 200 mil”

 

Agora vem a genialidade do professor  Flávio Lúcio

 

Diz o cientista político: “Resta alguma dúvida sobre os objetivos dessas conversas entre agentes públicos? Se elas não são suficientes para comprovar uma ação organizada, uma simples consulta ao Sagres pode ajudar, no mínimo, a aumentar as “suspeitas”.

“Entre 2013 e 2018, foram empenhados recursos para a Kairós da ordem de R$ 25.413.641,86, e a empresa recebeu R$ 17.887.272. Uma diferença de quase R$ 8 milhões em créditos, o que representa quase um terço dos valores! Veja o print do Sagres”.

 

E seguindo os passos do docente, mostra-se ele livre de solilóquios individuais, estando uma formação de juízo de valor pautado sem o ranço ideológico da política partidária.

 

Como cidadão, indaga Flávio Lúcio, no que chama “Ato I”

 

“Bastou a desconfiança do Ministério Público de que era dinheiro o que o ex-assessor de Livânia Farias, Leandro Nunes, carregava numa caixa de vinho para que sua prisão fosse decretada e ele, mesmo com diploma Universitário, fosse encaminhado ao PB1.

 

Um mês depois da prisão, Leandro Nunes não resistiu e acabou por confirmar as suspeitas do MP, “confessando” que o que ele carregava naquela caixa era mesmo dinheiro. Em seguida, saiu da cadeia.

 

Não demorou muito para a prisão “preventiva” de Livânia Farias ser decretada. Livânia continua presa não se sabe até quando. Mesmo que seja inocente, porque a presunção de inocência foi abolida em alguns casos no Brasil, Livânia Farias vai pagar por esse crime pelo resto de sua vida”.

 

Bem, diante de tantos fatos, fotos e áudios,  termino minhas considerações com uma afirmação que, ao mesmo tempo, tem conotação de pergunta: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”. William Shakespeare.

 

Eliabe Castor com o blog Flávio Lúcio

 


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