João Pessoa, 26 de Julho de 2017

20 de Março de 2017

União Europeia vai suspender empresas envolvidas no escândalo de carne no Brasil

União Europeia vai suspender empresas envolvidas no escândalo de carne no Brasil

 A Comissão Europeia disse nesta segunda-feira (20) que está monitorando as importações de carne do Brasil e que todas as empresas envolvidas em um escândalo de carne ilegal terão acesso negado ao mercado da União Europeia temporariamente. O nome de nenhuma empresa foi citado.


"A Comissão garantirá que quaisquer dos estabelecimentos implicados na fraude sejam suspensos de exportar para a UE", disse o porta-voz da Comissão Europeia Enrico Brivio em coletiva de imprensa regular.


De acordo com Brivio, a Comissão está ciente da contínua investigação no Brasil. "Assim que a história saiu, na sexta-feira, a comissão pediu esclarecimento e ação das autoridades brasileiras."


O Ministério da Agricultura afirmou que 'não existe risco' sanitário pelo consumo de carne no país. Para tentar tranquilizar os países que importam do Brasil, o presidente Michel Temer convidou embaixadores para um churrasco em restaurante de Brasília.


Operação Carne Fraca

Na última sexta-feira (17), uma investigação divulgada pela Polícia Federal apontou um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos no país. No total, são 21 empresas investigadas, entre elas as maiores do setor, mas apenas 3 frigoríficos foram interditados.

Policiais envolvidos - 1,1 mil

Prisões preventivas – 26

Prisões temporárias -11

Total de busca contra pessoas – 111

Total de buscas contra empresas – 70

Empresas investigadas - 21 (entre elas 3 foram interditadas)


Reação na Europa

Questionado sobre o tipo de carne envolvida na investigação - e que terá a compra suspensa -, o porta-voz afirmou que, de acordo com relatos iniciais, trata-se de frango, em sua maior parte.


A Comissão acrescentou que o escândalo da carne não terá qualquer impacto nas negociações em curso entre a União Europeia e o Mercosul, no qual os dois lados esperam chegar a acordos sobre livre comércio.


O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e o Itamaraty foram procurados pelo G1, mas ainda não se pronunciaram sobre as afirmações da União Europeia.


De acordo com o comentarista da Globo News Valdo Cruz, o ministro da Agricultura Blairo Maggi confirmou a informação de que a China, a Coreia e a União Europeia devem mesmo suspender a importação de carne das unidades investigadas.


O ministro terá uma conferência com as autoridades da China para discutir esse assunto, segundo o comentarista. O governo quer trabalhar para que o embargo fique restrito somente às 21 unidades investigadas; e não a todas unidades exportadoras.


Coreia do Sul

A Coreia do Sul também disse nesta segunda-feira que vai intensificar a fiscalização de carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos da BRF após o escândalo deflagrado pela Operação Carne Fraca na semana passada. De acordo com a agência Reuters, as informações estão em um comunicado do Ministério da Agricultura sul-coreano.


O ministério disse que fornecedores brasileiros de carne de frango terão que enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro. Mais de 80% das 107.400 toneladas de frango importadas pela Coreia do Sul no ano passado vieram do Brasil, sendo quase metade fornecida pela BRF.


Por meio de nota, a BRF informou que não foi notificada oficialmente a respeito dessa "suposta suspensão" e por isso não vai se manifestar." A companhia reitera que cumpre todos os padrões exigidos pelas autoridades brasileiras e dos países em que opera."


O governo brasileiro e a embaixada da Coreia do Sul foram procurados pelo G1, mas ainda não se pronunciaram.


China

A China também disse ter suspendido temporariamente, como "medida de precaução", a importação de carne brasilera depois do escândalo revelado na semana passada, de acordo com fontes ouvidas pela agência Reuters.


O governo brasileiro e a embaixada da China no Brasil foram procurados pelo G1, mas ainda não enviou comunicado.


Carne fraca

Deflagrada na sexta-feira (17) pela Polícia Federal, a operação investiga o envolvimento de fiscais do ministério em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.


Foi descoberto que funcionários de superintêndencias regionais recebiam propina para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.


"Quero fazer um comunicado aos senhores que, naturalmente, peço que transmitam aos seus governantes. Nós tomamos várias deliberações no dia de hoje. A primeira delas é que decidiu-se acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal que são, na verdade, 21 unidades no total. Três dessas unidades foram suspensas e todas as 21 serão imediatamente colocadas sob regime especial de fiscalização a ser conduzida por força-tarefa do Ministério da Agricultura", declarou o presidente Michel Temer na véspera, a embaixadores.


Seis das 21 unidades exportaram nos últimos 60 dias, afirmou o presidente, sem dizer os países para os quais se deu a exportação.


Ao longo deste domingo, o presidente teve uma série de reuniões com o objetivo de discutir medidas para enfrentar a crise gerada pelas revelações da operação Carne Fraca.


Temer recebeu, por exemplo, os ministros da Agricultura, Blairo Maggi, e da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, além de representantes de associações como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).


Medidas

Após o pronunciamento do presidente, a assessoria do Planalto divulgou uma nota na qual informou que, além da força-tarefa, o governo também decidiu reiterar às missões estrangeiras que "todas as plantas exportadoras permanecem abertas às inspeções dos países importadores" e que o sistema de controle nacional é um dos "mais respeitados do mundo".


O Planalto também diz, na nota, que vai reforçar a cooperação entre o Ministério da Agricultura e a Polícia Federal para apurar eventuais desvios no sistema de defesa agropecuária.



Foto: Reprodução G1



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