13 de Setembro de 2012
Felipão se reúne com diretoria e sua demissão não está descartada
Há três semanas, uma conversa na praia de Copacabana adiantou as intenções da diretoria do Palmeiras em renovar o contrato de Luiz Felipe Scolari, que acaba em dezembro. Mas, desde então, foram cinco derrotas, um empate e só uma vitória. E o mesmo Rio de Janeiro pode ser a sede da definição da saída do técnico do clube.
Logo após perder do Vasco e deixar o time em penúltimo lugar no Brasileiro, a sete pontos do Flamengo, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, Felipão deu entrevista coletiva e logo partiu para um restaurante no qual se encontrará com dirigentes do Verdão. O gerente de futebol César Sampaio saiu do estádio sem garantir a permanência do técnico.
“Estamos todos muito tristes. Fiquei muito preocupado com tudo que vi. A situação merece uma conversa minha com o presidente e o vice-presidente, mas hoje (quarta-feira) não é o melhor dia para se falar sobre nada”, disse o dirigente. “Neste momento, qualquer pronunciamento é sob efeito da partida. A melhor decisão sempre se toma no dia seguinte, já que estamos abalados com o que vimos. Vamos esperar. Amanhã (quinta-feira) estaremos com as coisas mais claras”, continuou o ex-volante.
Ao assumir o cargo, há menos de um ano, Sampaio admitiu que cogitou demitir o técnico que o comandou na conquista da Libertadores de 1999. Na madrugada desta quinta-feira, a decisão pode ser tomada, e Scolari está ciente disso. “Hoje (quarta-feira) ainda vamos conversar. Vou me reunir com a direção para ver o que será modificado para já no próximo jogo termos, pelo menos, condições de ganhar”, falou o técnico.
“Não sei se tá em pauta (a minha saída) pelo estado anímico em que me apresento e as dificuldades que tenho em relação ao meu grupo. Tentamos de uma forma ou outra, mas temos uma dificuldade a mais. Vamos conversar, ver o que acontece para mudar algo já para domingo”, prosseguiu o treinador.
Felipão alega que, durante sua entrevista, não cogitou pedir demissão. “Nem passou pela minha cabeça, ainda não tive tempo nem de pensar nisso. Vamos dialogar, ver o que fazer diferente e de que forma consertar alguma coisa. De manhã, vamos ver o que pode acontecer”, completou o técnico que, há cinco meses, anunciou ao elenco que deixaria seu cargo após a eliminação nas quartas de final do Campeonato Paulista, diante do Guarani, mas mudou de ideia a pedido de Marcos Assunção, Mauricio Ramos, Henrique, Bruno e Márcio Araújo.
Hoje, o treinador admite sofrer com dificuldades além das esperadas. “Tempo não temos muito, mas temos time, tanto que fomos campeões da Copa do Brasil há dois meses. Não podíamos estar com todas essas dificuldades de agora. Alguma coisa vem acontecendo”, assumiu.
À frente da equipe que mais vezes perdeu no Brasileiro (14), Scolari sabe que, se não tivesse no currículo as conquistas da Copa do Mundo de 2002 e da Libertadores de 1999, já estaria demitido há algumas semanas, mesmo com o título da Copa do Brasil festejado em 11 de julho.
“Eu já não seria técnico do Palmeiras há, no mínimo, dois meses. Já podia não ter sido depois da Copa do Brasil. É um raciocínio lógico de pessoas e de clubes do Brasil todo, e não fujo dele”, afirmou Felipão, com sinceridade.
Gazeta Esportiva
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