12 de Junho de 2012
Sampaio vê Valdivia abalado e permanência será definida até sexta
Após reunir-se com o jogador Valdivia na manhã desta terça-feira na Academia de Futebol, o gerente de futebol do Palmeiras, César Sampaio, afirmou que a permanência do camisa 10 alviverde no clube segue em aberto e que a definição só será decretada nesta próxima sexta-feira. O dirigente afirmou que o jogador está muito abalado e abatido com o sequestro sofrido nesta última quinta-feira e não descartou a saída do meia.
"O Valdivia não veio disposto para a rescisão, mas ele não tem razão para permanecer. A mulher dele foi taxativa e não quer que ele fiquei aqui. A situação está indefinida e até sexta-feira vamos entrar em um acordo", afirmou César Sampaio, que ressaltou que o clube vai lutar pela permanência do atleta. "Não abrimos mão dele, mas ele está mal. Sinto que ele está muito abalado. Para ele ficar sem os filhos aqui é muito difícil", completou.
O dirigente afirmou também que já conversou com o treinador Luiz Felipe Scolari e que o treinador alviverde ressaltou que a sequência do atleta no clube depende do foco dele no Palmeiras. "Queremos recuperar o emocional dele. Felipão e todos nós (da diretoria) dissemos que ele precisa estar com a cabeça no Palmeiras", afirmou. "Estou fazendo de tudo para que ele não saia, mas não queremos ele aqui no estado que ele está hoje", disse Sampaio, que espera contornar a situação.
Valdivia estava longe do clube desde que sofreu um trauma na noite de quinta-feira, quando, acompanhado por sua mulher, foi mantido em poder de um bandido na capital paulista. No dia seguinte, o camisa 10 embarcou para o Chile e recebeu o apoio da diretoria e dos demais jogadores. O meia retornou a São Paulo na noite desta segunda-feira e passou cerca de duas horas e 30 minutos prestando depoimento no 23º distrito policial, em Perdizes, na zona Oeste de São Paulo.
Ao mesmo tempo em que o Palmeiras luta nos bastidores para tentar segurar Valdivia no elenco, a equipe se prepara para a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, diante do Grêmio, nesta próxima quarta-feira, em Porto Alegre. O meia já estaria fora de qualquer forma do jogo, pois acumula três cartões amarelos e tem de cumprir suspensão automática. A delegação alviverde segue para o Rio Grande do Sul nesta tarde, em voo marcado para as 15h (de Brasília).
Entenda o caso:
Valdivia foi vítima de um sequestro relâmpago na noite da quinta-feira, dia 7 de junho, na Avenida Sumaré, na zona Oeste de São Paulo. O jogador foi rendido por dois homens armados e ficou durante quase três horas como refém até ser libertado na frente da Academia de Futebol, na Avenida Marquês de São Vicente. O chileno não sofreu ferimentos e teve R$ 1 mil roubados (máximo permitido para saques em caixas eletrônicos no horário).
No momento do sequestro, Valdivia estava acompanhado da mulher, Daniela Aránguiz, que ficou impressionada com o acontecimento e pediu para retornar ao Chile. O camisa 10 foi dispensado da partida de sábado (dia 9) contra o Atlético-MG, no Estádio do Pacaembu, e autorizado a viajar a Santiago na manhã da sexta. O meio-campista havia dito que se reapresentaria na segunda (11).
Em entrevista à emissora chilena TVN, porém, Daniela disse que havia sofrido uma tentativa de agressão sexual dos sequestradores e frisou que não regressaria a São Paulo. "Quando ficamos sozinhos, ele (sequestrador) tentou me tocar. Eu não posso voltar ao Brasil. Tínhamos uma vida, compramos um apartamento, mas eu e meus filhos não vamos voltar", assegurou.
Ciente dos problemas, o Palmeiras admitiu alongar o prazo para que Valdivia se reapresentasse. Gerente de futebol da equipe alviverde, César Sampaio declarou que o meia estava "bem abalado" com o ocorrido e que era necessário "respeitar o lado humano e dar o apoio necessário". O dirigente afirmou que o camisa 10 deveria retornar "quando estivesse bem" e "com a cabeça no clube".
Valdivia, aliás, não se reapresentou na data inicialmente marcada e faltou ao treinamento realizado na manhã de 11 de julho. O meia, porém, embarcou na companhia do pai (e sem a mulher) em Santiago a caminho do Brasil para se reapresentar ao Palmeiras. Contudo, o volante Claudio Valdivia, irmão mais novo do palmeirense, informou que o atleta está disposto a deixar o Palestra Itália.
"A ideia é voltar ao Brasil para conversar com os dirigentes e chegar a um acordo. O Jorge não está bem e viajará nosso pai com ele, para que veja o assunto do contrato. Talvez seja possível ver uma cláusula para deixar (o Palmeiras) e jogar em outro país. Ele quer estar com a família e não conseguirá isso lá (no Brasil)", disse Claudio Valdivia, que chegou a defender o Palmeiras B durante a primeira passagem do meia chileno pelo clube.
Terra
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