14 de Maio de 2012
Site islamista instiga assassinato
Site islamista oferece recompensa por morte de rapper iraniano
Um site islamista ofereceu uma recompensa de US$ 100 mil a qualquer pessoa que mate um rapper iraniano que mora na Alemanha e que, na avaliação do site, criou uma música que satiriza a República Islâmica e trata uma figura religiosa histórica de forma irreverente.
O website de notícias e religião iraniano Shia-Online.ir disse que a estrela de hip-hop Shahin Najafi merecia morrer por uma canção que, segundo o site, "grosseiramente insultava" Ali al-Hadi al-Naqi, um dos 12 imãs - as figuras religiosas altamente reverenciadas por muçulmanos xiitas.
Najafi negou que sua música focava no imã xiita reverenciado ou foi feita para criticar o Islã. A música toma a forma de uma oração a Naqi, do século 9, e expressa reverência irônica por muitas figuras iranianas contemporâneas.
Com referências que vão desde o amor dos iranianos a plásticas no nariz até sanções econômicas e a controversa eleição presidencial de 2009, a letra da música em língua persa significa pouco para um estrangeiro, mas ressoou entre os iranianos e já teve mais de 320.000 acessos no YouTube.
Muitas canções de rap feitas por exilados iranianos seriam politicamente e moralmente ofensivas às autoridades da República Islâmica, onde a música pop local é restringida. Mas a constante menção a "O Naqi" na canção atraiu mais raiva do que o habitual.
"Um fundador (do website) que vive em um dos países do Golfo Árabe prometeu pagar a recompensa (de 100.000 dólares) em nome do Shia-Online.ir para o assassino do cantor abusivo", disse o site em uma postagem.
Em uma repetição da fatwa (decreto religioso) de 1989 ordenando a morte do escritor britânico Salman Rushdie por seu romance "Os Versos Satânicos", que foi considerado blasfemo, um clérigo do Irã disse que o rap de Najafi pode merecer uma sentença de morte.
Perguntado por seus seguidores sobre a música, o grande aiatolá Nasser Makarem Shirazi disse em que "qualquer atentado contra os imãs infalíveis... e um óbvio insulto contra eles fariam de um muçulmano um apóstata", afirmou a agência de notícias iraniana Fars.
A apostasia é digna de sentença de morte dentro das leis islâmicas que são aplicadas no Irã predominantemente xiita.
Falando à emissora alemã Deutsche Welle, Najafi disse: "Eu pensei que haveria algumas ramificações. Mas eu não achei que iria perturbar muito o regime. Agora eles estão tirando proveito da situação e fazendo com que pareça que eu estava tentando criticar a religião e incomodar os religiosos."
"Para mim é mais uma desculpa para falar de coisas completamente diferentes. Eu também critico a sociedade iraniana na música. Parece que as pessoas estão simplesmente concentrando-se na palavra 'imã'."
Najafi, em seus 30 e poucos anos, era ativo na cena musical underground do Irã antes de deixar o país em 2005.
Autoridades iranianas ainda não comentaram sobre a música de Najafi e a mídia do Irã não divulgou amplamente a recompensa estabelecida para sua cabeça pelo site xiita.
Najafi disse que tinha tomado algumas "medidas cautelares", porque "alguns partidários do regime querem criar uma atmosfera de medo e intimidação".
Terra
Não somos responsáveis pelo material divulgado pelos usuários.
O PBAgora se integrou ao Twitter.
Através desta rede social, você poderá também participar e dar sua opinião. Para isso, basta seguir o @portal_pbagora e dar um retweet no link da notícia ou digitar no campo de mensagens logo abaixo.
Para efetivar o tweet, é necessário você ter uma conta no Twitter. Portanto, após clicar no botão Tweet abaixo, você será redirecionado para sua página do Twitter, onde você precisará confimar o envio apertando novamente em Tweet. Se você não estiver logado no Twitter, será necessário fazer o login antes da confirmação.
Gratos pela atenção,
Equipe Portal PBAgora
x Fechar



» AS BODAS DE PRATA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
» Ruy Carneiro homenageia Waldir Bezerra e propõe obra com seu nome
» Mulher é presa no Róger com 300 gramas de drogas na vagina
