João Pessoa, 21 de Maio de 2013

Giovanni Meireles

Giovanni Meireles

18 de Agosto de 2012

SAB

18.08

Imagens impossíveis na Arte da Guerra política - Parte 1

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Tomando por base para reflexão a foto acima, é totalmente impossível, dentro da conjuntura política atual, reunir novamente em torno do mesmo objetivo político-administrativo algumas das figuras retratadas, como o governador Ricardo Coutinho (PSB), o prefeitável José Maranhão (PMDB), o deputado federal Manoel Júnior (PMDB), o prefeitável Luciano Cartaxo (PT) e o vice-prefeitável Nonato Bandeira (PPS). Tempos atrás, todos eles aparentavam conviver em perfeito estado de harmonia política, partidária e de amizade pessoal. Hoje em dia, nem tanto...



A mesma coisa vale para a foto ao lado, mostrando a antiga amizade - hoje totalmente destroçada - entre o prefeito Luciano Agra (sem partido) e a prefeitável Estela Bezerra (PSB). Jamais os dois andarão juntos, lado-a-lado, outra vez.

DISPUTA POR VOTOS É PALCO PARA TRAIÇÃO E SEMEAR DISCÓRDIA

Nos dias de hoje, em pleno período eleitoral, quando ex-correligionários se declaram publicamente inimigos para o resto da vida, utilizando termos pejorativos para denominar antigos colegas de legenda e siglas partidárias, como os adjetivos vindos as palavras traição, covardia, ingratidão, mau-caráter, é sempre bom e salutar tentarmos entender o sentimento interno que move os espíritos públicos de todos esses cidadãos e lideranças políticas da atual cena governista e oposicionista paraibana.

Em tempos de guerras generalizadas e sub-reptícias como os dias agitados em que vivemos (da Guerra dos Sexos à das empresas) vale a lição do livro: a primeira batalha que devemos travar – e obrigatoriamente vencer – é contra nós mesmos...

Quem diz isto não sou eu, mas o general Sun Tzu, que deve ter servido aos reis do Império da China há cerca de 500 anos antes de Jesus Cristo nascer em Belém da Judéia.

Pouco importa se Sun Tzu existiu de verdade ou é apenas uma figura lendária, como Shakespeare, Robin Hood, Jack (O Estripador), Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola redonda, Mago Merlin, Aquiles (o do calcanhar encantado), Helena de Tróia, o colosso de Rhodes, os ciclopes, o minotauro, Atlântida, o El Dorado ou os próprios deuses do Olimpo.

O fato é que um texto escrito em tiras de bambu que remonta à turbulenta época dos estados guerreiros medievais na China, a quase 2.500 atrás, chegou até nós trazendo as ideias de um filosofo e estrategista que certamente comandou e venceu muitas batalhas.

Hoje, o livro dele, “A Arte da Guerra”, depois de colocar lenha no fogo das disputas comerciais entre empresas modernas, no mundo dos negócios globalizados, parece destinado a municiar outra guerra: a dos políticos paraibanos.

Sendo assim, pode-se supor que a esta altura, o livro já migrou das estantes da Granja Santana para o Paço Municipal, passando antes pelos salões do Palácio da Redenção e pelos gabinetes e corredores do Centro Administrativo Municipal de Água Fria.

Sun Tzu forja a figura de um general super-homem cujas qualidades são: o segredo, a dissimulação, a astúcia e a surpresa.

Esse comandante deve evitar cinco defeitos básicos: precipitação, hesitação, irrascibilidade, preocupação com as aparências e a excessiva complacência, ou seja, não deve ter pena de ninguém.

Para vencer, deve conhecer perfeitamente a terra (geografia, o terreno onde está pisando), e os homens (tanto a si mesmo, quanto aos seus inimigos). O resto é somente uma questão de cálculo.

Eis o mistério desvendado da Arte da Guerra, entre coletivos, ex-socialistas, dissidentes e aliados.

Algumas lições de Sun Tzu: quando um hábil general começa uma guerra o inimigo dele já está derrotado. No combate ele realiza sozinho mais do que todo seu exército junto, não pela força de seu braço, mas por sua prudência, por seu brio, e, sobretudo por sua argúcia.

É preciso que uma parte do exército inimigo passe para o seu campo combatendo ao teu lado.

Se souberes infiltrar traidores entre os inimigos, em breve terás entre eles pessoas inteiramente devotadas a ti. Esses traidores te dirão qual maneira e os meios que deves empregar para conquistar seus compatriotas.

Se oficiais inimigos estão em constante desacordo, desconfianças mútuas, inveja, intrigas e interesses pessoais os manterão divididos, pois poderás facilmente cooptar uma parte deles por mais devotados que sejam ao outros soberanos, pois a promessa de vingança, de riqueza ou de cargos eminentes, bastará para atiçar-lhes o desentendimento e fomentar a divisão.

Eles de destruirão aos poucos, sem que nenhum tome abertamente o teu partido. Os mais esclarecidos desanimarão. O zelo dos oficiais mais leais ao seu chefe diminuirá e, vendo-se sem esperança de melhor sorte, se refugiarão sob tuas bandeiras para salvar a própria pele e seus empregos, trazendo junto deles aliados e amigos, que serão outros súditos que conquistarás para teu príncipe.

Fica sempre de sobreaviso, embora aparentes serenidade.

Desconfia de tudo, apesar de parecer confiante, seja extremamente secreto, mantenha espiões por toda a parte, pois algumas vezes a gente se engana, quando acredita estar enganando os outros.

Deves supor que o inimigo fará o mesmo contra ti, mas se controlares tuas próprias palavras, atitudes e ações, teus gestos só servirão para dar falsas pistas a quem mandar espiões contra teu exército e comandados.

E por fim: nada deve surpreender um bom general, aconteça o que acontecer, pois somente um príncipe esclarecido e um comandante digno podem tirar partido de tudo e realizar os feitos mais notáveis da história ampliando sua soberania, defendendo o Estado, exterminando os inimigos, realizando diariamente novas conquistas e fundando até mesmo futuras dinastias.

Um exército sem agentes secretos (traidores, trânsfugas e espiões) é como um homem cego e surdo, que nada ouve e nada vê. Esta é a verdadeira arte de semear a discórdia, dentro da “Arte da Guerra”.

NOTA DO REDATOR - Este texto, na íntegra, foi publicado originalmente na página 22 da edição nº 14 da revista POLITIKA (junho/julho) que está circulando em todas as bancas de jornais do Estado, desde a semana passada.

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